História Local

A história contemporânea do nosso povo, tão rica, tão complexa e tão ignorada, tem previamente de passar pelo levantamento e estudo sistemático da nossa imprensa, geral e regional, e de todas essas revistas e almanaques em que o século XIX é tão fértil. Tem de passar pelos arquivos distritais e municipais, a fim de se fazer a história rural. Tem de passar pelos arquivos dos hospitais e das instituições de caridade e beneficência, das associações operárias, das companhias de seguros, das penitenciárias e prisões, para se conhecer a base do mundo vertical dos aglomerados urbanos, as condições materiais do proletariado industrial, e de todo esse submundo de miséria social, vagabundagem, mendicidade e prostituição, o qual está ainda por explorar.

A história do povo portuguÊs passa ainda pela documentação diretamente ligada à igreja e estabelecimentos monásticos, pelos livros de registo de nascimentos, casamentos e óbitos - imprescindíveis para a demografia; pelos inquéritos executados nas várias dioceses; pelas pastorais, e livros das confrarias, e pelos livros das Visitas, dos capítulos, dos roteiros, das devassas e dos termos de culpados. in: Sousa, Fernando, Subsídios para a História Social do Arcebispado de Braga. Braga 1976, pág 7/8.

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Fazer a história de uma localidade ou região implica recuperar memórias disseminadas por um conjunto de vestígios onde o espaço e as sociedades se inscrevem.
Face à diversidade dos temas possíveis de abordar, em consonância com a trajectória da vida das comunidades, a investigação é complexa, exigindo que se percorram arquivos, bibliotecas, museus, etc., ou seja todos os locais onde a memória da presença humana se encontra preservada.
Antes mesmo de se procurar um documento de arquivo, e a fim de se obter uma visão de conjunto e se gizarem os contornos do estudo que se pretende fazer, importa conhecer, desde logo, a bibliografia já publicada sobre a localidade ou região, recorrendo, em primeira instância, a obras de índole geral, tais como enciclopédias e dicionários.
De entre outras, consideramos de uma enorme utilidade as seguintes obras de síntese e de referência:

  • Bibliografia corográfica de Portugal. Lisboa: Biblioteca Popular de Lisboa, 1962-1975;
  • COSTA, Américo – Dicionário corográfico de Portugal Continental e Insular: hidrográfico, histórico, orográfico, biográfico, arqueológico, heráldico, etimológico, 12 vol. Porto: Livraria Civilização, 1929-1949;
  • COSTA, Padre António Carvalho da – Corografia portuguesa e descripçam topográfica. Braga: Typographia de Domingos Gonçalves Gouvea, 1868;
  • Dicionário de História de Portugal, dir. de Joel Serrão,4 vol. Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1961-1971;
  • LEAL, Augusto Soares d´Azevedo Barbosa de Pinho . Portugal Antigo e Moderno. 12 vol. Lisboa: Livraria Ed. Matos Moreira, 1873-1890;
  • LIMA, João Baptista de – Terras Portuguesas, 8 vol. Póvoa do Varzim, 1931;
  • RODRIGUES, Guilherme; PEREIRA, João Manuel Esteves – Portugal: dicionário histórico, chorográfico, biographico, bibliographico, heraldico, numismatico e artístico, 7 vol. Lisboa: João Romano Torres e Cª,1904-1915;
  • VASCONCELOS, José Leite de – Etnografia Portuguesa: tentame de sistematização, 6 vol. Lisboa: Imprensa Nacional, 1933-1975.

Dever-se-á, em seguida, inventariar a bibliografia especializada, com especial destaque para as monografias.

No contexto de uma abordagem global, merece-nos uma referência especial o manuscrito conhecido por Memórias Paroquiais de 1758, organizado alfabeticamente por freguesias. O índice L 321, que se lhe refere, remete de imediato para a localidade pretendida.

Os forais, cuja importância e interesse são por demais reconhecidos, encontram-se dispersos por diversos fundos e colecções, tais como Chancelarias Régias, Gavetas, Leitura Nova, etc. Torna-se, pois, de primordial valor o contributo de Francisco Nunes Franklin, cuja obra Memórias para servir de índice dos forais (…) fornece todas as indicações necessárias. A referida obra encontra-se na Sala de Referência à disposição dos leitores (L 483).

Relativamente à história contemporânea é de grande utilidade o Roteiro das Fontes da História Portuguesa Contemporânea, com coordenação de Joel Serrão e direcção de Maria José da Silva Leal e Miriam Halpern Pereira, disponível igualmente na Sala de Referência (L 534). in: ANTT


Temas da História de Mondim de Basto

Castroeiro

28/01/2013 14:46
A Arte Atlântica do Castroeiro, António Pereira Dinis

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Memórias Paroquiais de Mondim de Basto 1758 (microfilme)

07/12/2012 15:08

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Memórias Paroquiais de Ermelo 1758 (microfilme)

07/12/2012 15:04
Memórias paroquiais de ermelo from Licinio Borges

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Memórias Paroquiais de Atei 1758 (microfilme)

07/12/2012 14:59

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Código administrativo

04/12/2012 11:07
Código administrativo de 31/12/1936 Aprovado pelo Decreto-Lei nº 27.424 de 31 de Dezembro de 1936, confirma a extinção de Atei e Ermelo como concelhos e aparecem já englobados no atual concelho de Mondim de Basto, juntamente com as restantes freguesias.

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Mortos na Guerra do ultramar

24/11/2012 19:21
Mortos na Guerra do ultramar (Mondim de BasTo)

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AS FREGUESIAS do distrito de Vila Real nas memórias paroquiais de 1758

24/11/2012 18:42
Memórias, História e Património Investigação financiada pelo Projecto A Descrição do Território Português do Século XVIII (Projecto POCTI/FCT). Estudo integrado na linha de investigação Territórios e Culturas do Núcleo de Estudos Históricos / Universidade do Minho. Responsável: José Viriato...

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Muros e Apiários da Serra do Alvão e Marão. pdf

23/11/2012 22:29
Muros e Apiários da Serra do Alvão e Marão 

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Mondim de Basto (tese de mestrado)

23/11/2012 11:55
Educação, Sociedade e Desenvolvimento em Mondim de Basto desde o marquês de Pombal à transição para a contemporaneidade,  Autor: Licínio Borges

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Mondim na Idade do Ferro

 1. O Castro Crastoeiro

foto de: pedestrianismo.blogspot.com

 A ocupação mais antiga situa-se na Idade do Ferro,  meados de séc. IV AC, como data provável. Nesta altura, os habitantes do Crastoeiro construíram cabanas, de planta circular, e cavaram fossas no saibro para conservarem as bolotas recoletadas e os cereais . A produção cerâmica,  inclui potes e púcaros ou potinhos. Foram desenvolvidas práticas da metalurgia do ferro.

gravurasA descoberta de gravuras rupestres no Crastoeiro mostra que o sítio terá assumido o papel de santuário desenvolvendo-se aí actividades de foro ritual e simbólico.

Por volta do séc. II AC, o povoado transforma-se com a construção de uma imponente muralha, em pedra, demonstrativa de um incremento económico e capacidade organizativa. Começam a edificar casas em pedra, de planta circular ou rectangular com os cantos arredondados, por vezes com vestíbulos, conservando-se, porém, os pavimentos de argila e as coberturas em materiais vegetais. A cerâmica conhece inovações técnicas, pela utilização da roda, e aumenta o número de formas e a percentagem de recipientes decorados. Continua-se a documentar a produção metalúrgica do ferro e talvez se tenha trabalhado o bronze, fazendo-se uso dos recursos minerais locais.
O abandono do Crastoeiro terá ocorrido nos finais de séc. I, quando se processava a romanização do território. (Resumo de brochura da Câmara Municipal)

Todas estas informações ficaram demonstradas no trabalho de arqueologia que o nosso colega, dr. A. Pereira Dinis tem vindo a desenvolver desde a década de oitenta. Para aprofundarmos o conhecimento sobre esta época devemos consultar a bibliografia seguinte:

CASTIÑEIRA, J.R. & SOTO-BARREIRO, M.J. (2001). El arte rupestre de Crastoeiro

(Mondim de Basto – Portugal) y la problemática de los petroglifos en castros, in DINIS,

A.P. (2001), 159 – 200.

DINIS, A. P. (2004). “A ocupação do Crastoeiro (Mondim de Basto, Norte de Portugal)

no Ferro Inicial”, Colóquio “Castro um lugar para habitar” Museu Municipal de

Penafiel, Penafiel.

(2001). O Povoado da Idade do Ferro do Crastoeiro (Mondim de Basto, Norte de

Portugal), Cadernos de Arqueologia - Monografias, 13, Ed. Unidade de

Arqueologia da Universidade do Minho, Braga.

(1993/1994). Contribuição para o estudo da Idade do Ferro em Basto: O Castro do

Crastoeiro, Cadernos de Arqueologia, série II, nº 10-11, Braga, 261 - 278.

FIGUEIRAL, I. (2001). Recursos vegetais do Crastoeiro: os resultados da Antracologia,

in DINIS, A.P. (2001), 135 – 144.

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2. O Castro de Vilar de Viando

Por sua vez, J. L. Vasconcelos, no "Archeologo Portugues" diz-nos que:

Podemos e devemos ler todo o artigo aqui: http://bibliotecas.patrimoniocultural.gov.pt/oarqueologo/OAP_S1_v3_1897/OAP_S1_v3_1897_150dpi_pdf/p69-72/p69-72.pdf

ou pode aprofundar os conhecimentos aqui: http://biblioteca.mnarqueologia-ipmuseus.pt/oap_lista.htm


Mondim Romanizado

É de todos sabido que, quanto mais recuamos no tempo, mais dificuldades encontramos para fazer uma História fiável de um lugar, terra ou região. É o que se passa relativamente à Romanização em Mondim de Basto. São, para já, muito poucas as referências que nos permitam conclusões com um elevado grau de certezas. Ora aqui está mais um tema a merecer a nossa atenção e que muito agradece os contributos que possam dar para um melhor esclarecimento do tema.

História

No século II antes de Cristo, as legiões romanas sob o comando do cônsul Décio Júnio Bruto invadiram e conquistaram todas estas terras. Sabe-se que houve heróica resistência por parte das tribos montanhesas. No alto da Senhora da Graça poderá ter existido a célebre cidade de Cinínia, onde pontificava a belicosa tribo dos Tamecanos. Todos eles tiveram que se conformar com a imposição romana de virem povoar as partes baixas. Começava um período que se estenderia por quatro séculos. Era o tempo da romanização. [...] Construíam-se estradas, que deixaram vestígios em Pedravedra, e pontes como a de Vilar de Viando, perto da vila. Foram explorados minérios e ensinada a arte de trabalhar a telha e o tijolo. Nascia a indústria de tijoleiras de Carrazedo.

in: Wikipédia.

Vestígios Arqueológicos
1. - Na Cividaia foram encontrados diversos vestígios arqueológicos (fragmentos de cerâmica, de tégula, vidro e mós manuais) pertencentes a um castro romano.

2. - "no sopé do pico da Senhora da Graça, perto de Parada de Athuy (sic), numa propriedade do Illº Sr. José Pereira, por acasião de uma sorriba, foram encontradas duas sepulturas constituidas por tijolos de argilla vermelha, semelhantes á que temos visto por toda a parte em ruínas romanas[...] dentro da sepultura (grande) havia uma lampada, dois vasos de argilla..., a ponta de uma espada e da sua bainha... e de ossos reduzidos a pó..." in : Archeologo portuguez.


 

Cividaia (Atei) romana ou medieval?

Mais um tema a merecer a nossa atenção. E a nossa investigação.

imagem retirada de "As Civitates no Norte de Portugal", de Jorge Alarcão in: "cadernos de arqueologia" serie II, 12-13, 1995-96, pag. 25-30.

Vejamos o que refere Jorge Alarcão:

Depois das presúrias de Afonso III, assistimos a uma reorganização do território incorporado dentro dos limites cristãos, a qual passou pela criação das civitates. Não se trata, aqui, de uma simples referência a povoados urbanos, a cidades. Certamente que a expressão civitas também foi utilizada nessa acepção, conhecendo-se documentos onde Braga, Porto e Coimbra são tratadas como civitates. Mas, em muitos outros documentos, do último quartel do Séc. IX, do Séc. X e do Séc. XI, sobretudo da zona do vale do Douro, surgem referências a civitates que nunca corresponderam a cidades - nunca foram sede de bispado nem sequer atingiram dimensão urbana digna de relevo - mas que, apesar disso, continuaram a ser designadas como civitates.

Por outro lado, é flagrante que, muitas vezes, a expressão civitas não se reporta a um local mas antes a um território. Na realidade, estas civitates eram amplos espaços territoriais que, do ponto de vista militar, estavam confiados ao controle de uma estrutura militar que, muitas vezes, se revestia de características arquitectónicas muito incipientes.

A Civitas era ou poderia ser um comitatus, tinha o seu território próprio, e, idealmente, estavasob a responsabilidade de um conde ou de um commissarius da administração central.

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de (1992) - “Castelos Medievais do Noroeste de Portugal”, Finis Terrae. Estudios en Lembranza do Prof. Dr. Alberto Balil, Santiago de Compostela, pp. 371-385


Monges Brancos em Ermelo?

No trabalho de investigação que temos vindo a fazer descobrimos informações em vários blogues como a transcrita abaixo:

"De realçar ainda o Mosteiro de Ermelo, da Ordem de Cister, do qual subsistem algumas estruturas arquitectónicas da igreja românica...".

A confusão só pode vir do facto de ter existido um mosteiro cisterciense em Ermelo, dedicado a Santa Maria, mas no concelho dos Arcos de Valdevez.

acreditamos ser esta a verdade o que não nos impedirá de continuar com as investigações.

Os monges cistercienses, também chamados em Portugal «monges brancos», devido à cor do seu hábito, foram fundados no fim do século XI por S. Roberto de Molesmes.


Inquirições de 1220

Inquirições Gerais
   Datas: 1220,1251,1258,1288, 1301,1397
História:
Inquéritos mandados efectuar pelos monarcas, nos séculos XIII e XIV, com o objectivo de averiguar o estado de seus bens e
direitos. Integram-se num contexto de medidas de fortalecimento do poder real e de centralização administrativa. Visavam impedir os abusos de laicos e de eclesiásticos, relativamente a reguengos, terras e padroados da Coroa, quer no respeitante à cobrança de direitos, quer no tocante à usurpação ou abuso de jurisdição. A grande maioria das inquirições foi feita a norte do rio Mondego e, fundamentalmente, a norte do rio Douro, o que pode ser
explicado pelo maior fraccionamento da propriedade. Com excepção de alguns inquéritos efectuados por D. Teresa e por D. Sancho I, pode considerar-se que se iniciaram com D. Afonso II em 1220, incidindo nas regiões de Entre Douro e Minho, Trás-os-Montes e Beira. No reinado de D. Sancho II realizaram-se no termo de Lisboa, aos bens de algumas ordens religiosas, e em Sátão, na Beira Alta. D. Afonso III ordenou inquirições gerais em 1258; D. Dinis em 1284, 1288, 1301, 1303 e 1307; D. Afonso IV em 1335, 1343 e em 1339 no Porto, na sequência do antagonismo entre o rei e o bispo. D. Fernando, em 1373, ordenou inquirições no Alto Alentejo, e em 1395 a várias regiões da Beira. Eram efectuadas por comissões de inquérito nomeadas pelo rei, as chamadas alçadas, compostas por pessoas eclesiásticas e seculares, em número variável. Como o inquiridor era, geralmente, um valido do rei que desconhecia a zona, eram convocados localmente os "homens bons". Os questionários eram pré-definidos e as declarações dos inquiridos eram registadas segundo a hierarquia: juiz, pároco, vizinhos. Os nobres e clérigos regulares não eram ouvidos. As informações obtidas serviram, por vezes, de base para legislação.
Descrição:
As Inquirições fornecem informações sobre a demografia da época. Permitem, igualmente, cartografar a propriedade, sobretudo a régia, arrolando as propriedades (casais, herdades, courelas, coutos, etc., os foreiros, os direitos, novos e velhos, de reguengos e de foros, de padroados de igrejas, e a forma como deviam ser cobrados. Funcionam, igualmente, como fonte para a história política, reflectindo os conflitos que opunham a Rei à Igreja, aos concelhos, aos senhores ou cavaleiros vilãos.

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1220 Inquirições régias no Entre Lima e Douro.

De terra de Celorico (de Basto)

 

 

De sancto. Christophano. de Mondim.

REGUENGOS

Petrus pelagiz abbas. Petrus petriz. Gunsaluus

pelagiz. Martinus pelagiz. Petrus pelagiz. M enendus p etriz. M enendus gomiz. Petrus

gomiz. M artinus petriz. Garcia garcijz. iurati. dixerunt. quod habet ibi dominus Rex i.

casale. heremum. et dant de illo. Liiij. ferros. et aliquando pauciores. habet etiam [ibi]

alias entradas. unde dant illi. ij. quartarios. [panis] et hunum. legon. et nichil est ibi

negatum.

(Portugaliae monumenta Histórica,vol 1 pág. 54)

Nota importante:

As terras reguengas estavam sujeitas «a administração directa dos delegados do rei», explica Oliveira Marques, e quem as trabalhava «devia pagar uma quota-parte, que orçava entre 1/3 e 1/6, mas com predomínio da primeira fracção.» Além disso, juntava-se «a esta ração uma infinidade de direituras, eirádegas, jantares, etc., em regra fixas.» [A. H. de Oliveira Marques, A Sociedade Medieval Portuguesa. Aspectos da vida quotidiana. Lisboa, Sá da Costa, 1974 (3.ª ed.); p.133.] Um pouco mais à frente, ao referir-se aos «foros e outros tributos», o historiador esclarece que eles eram pagos anualmente, «em dia estabelecido pelo contrato», ou «mais simplesmente a tradição.» E especifica que era pela Páscoa, pelo S. João, pela Santa Maria de Agosto, pelo S. Miguel de Setembro e pelo Natal que o lavrador se dirigia a casa do representante do fisco – o mordomo – para lhe entregar os tais foros e tributos. Foros e tributos que eram pagos em bens (géneros agro-pecuários, da caça e pesca, de indústria artesanal, etc. ), em serviços e/ou em moeda.

 

FOROS E DÁDIVAS

De. sancto. Christoforo. de Mundim. Petrus pelagiz. abbas. Petrus petriz. Gomez

pelagiz. M artinus. pelagiz. Petrus pelagiz. M enendus petriz. M enendus gomez. Petrus

gomez. M artinus. petriz. Garcia. garcijz. iuratj. dixerunt quod rex.

(Portugaliae monumenta Histórica,vol 1 pág. 136)

PADROADOS

De. sancto. Christophano. de Mondim. Petro pelagiz abbas. Petro petri Gomecius

pelagiz. M artinus pelagiz. Petro paiz. M enendus p etriz. M enendus gomiz Petro gomiz.

M artinus petriz. Garcia. garcijz. iurati. dixerunt. quod morantur in ipsa villa. Liiij.

homines. et debent dare domino terre. v. v. fferros. et singullos. legones. et M aiordom

dant in singullis. M ensibus. ij. ij. fferros. et singullas. mealas. et si fuerint plures. plures

foros. facient. et si pauciores. pauciores faciant. et omnes debent dare insimul. domino

terre. i. M arram. de iij. bracales. et semel in anno. i. porcum. ualentem iij. bracales. et

singullas. boronas. M osegadas. si uenerit ad ipsam uillam. aliter non. et debent dare

M aiordomo maiori pro uita bis in anno carnem. ualentem. i. bracale. quartam. uinj. i.

taligam. de ceuada. si uenerit in nocte. et omnes debent ducere ei panem et comedere

cum illo. et debent dare ei aliam M eitigam in M agio. secundum uoluntatem eorum. et

debent ire facere. calcem. si dederit eis dominus terre. i. uacam. et iij. M odios. de uino.

aliter non. et debent ire ad intoruiscatam. et facienda Castella. de Barroso. et

unusquisque debet esse M aiordomus. minor. de uoce. et de calumpnia. et dant luitosam.

et Goiosa. et uocem. et calumpniam. et casalia qui ibi habeant ordines. faciunt forum

Regi sicut alia. et M aiordomus pausat ibi ubi uult. et debent ire ad M ontem currere. et

nichil est ibi negatum.

(Portugaliae monumenta Histórica,vol 1 pág. 195)

BENS DAS ORDENS

De S ancto Christophano de Mandim. Petrus pelagiz abbas. Petrus petri. Gomecius.

pelagii. M artinus pelagii. Petrus pelagii. M enendus petri. M enendus gomez. Petrus

gomez. M artinus petri. Garcia garciiz. jurati dixerunt quod ista ecclesia habet Senarias.

et ij. casalia. et ecclesia de Biadi .v. casalia. et ecclesia de feruenza .j. casale. et

Palumbeiro. et Refoios. et Arnoia habent ibi quasdam entradas.

(Portugaliae monumenta Histórica,vol 1 pág. 243)

 

De. sancto. Petro. das Ferr[ar]ias.

REGUENGOS

Johannes iohannis abbas. Johannes lupus. Pelagius

iohannis M enendus rolam. Petrus menendiz. M artinus iohannis. Pelagius petriz. Petrus

pelagiz. Gunsaluus menendiz. Pelagius garcie. Johannes godijz. iurati. dixerunt. quod

habet dominus rex regalengum in Vilar. de ferreiros. et est diuisatus per suos terminos.

et dant de illo. terciam. in locis. et in locis quartam. et in locis. viijam. et in locis. xijam. et

uocitant ibi suum M aiordomum. et nichil est ibi negatum.

(Portugaliae monumenta Histórica,vol 1 pág. 54)

 

FOROS E DÁDIVAS

De. sancto. Petro. das Ferrarias. Johannes iohannis abbas. Johannes lubo. Petro

iohannis. M enendus rolam. Petrus menendiz. M artinus iohannis. Pelagius petriz. Petrus

pelagiz. Gunsaluus. menendiz. Pelagius garcie. Johannes godijz. iurati. dixerunt. quod

in ista collatione. sunt xxv. casalia. et pecierunt mercedem domino regi Sancio. ut

teneret illos ad illud forum. quod habebant homines. de Armelo. et isti. iurati. dixerunt.

quod rex. Sancius. dedit eos. singillum [sic]. quod haberent talem forum. sicut homines

de Armelo. et nos de Vimaranes non uidimus sigillum. sed dixerunt. iurati. quod

dederunt illum ad Petrum petriz de M onte longo. qui tunc erat Judex. in ista collatione.

erant pauci de uetero. et habebant pro foro. quod dabant de unaquaque domo. xij. xij.

retalios. tortos. de fferro. et ij. ij. fferros. de singullis palmis. ad quem leuabat ipsos

alios fferros ad Cellarium. Et si isti uel aliquid illorum uellet leuare suos fferros

Cellarium. non dabat istos duos fferros. et dabant omnes insimul. unas teazes. de balleo.

domino Regi. et pectabant uocem. et calumpniam. et M odo. tornarunt illos quod dant

singullos. morabitinos. et ve. ve. fferros singullos. legoes. et pectant. iij. calumpnias.

furtum. rausum. homicidium. et dant de ecclesia. i. morabitinum. et habent pro foro.

quod omnes qui ibi populauerint. debent facere istud forum. et iurati. dixerunt. quod est

terra melius populata. et dant modo. tenazes. pro balleo domini Regis. et dant luitosam.

et colligunt. M aiordomo. sui terceiro. et dant ei uitam. iij . uices in anno. Petrus

paiucas. fuit maiordomus. et sunt ibi due mulieres uidue. que dant. ij. ij. fferros. et iste.

Judex. qui modo. Judicat. dicit quod uidit ipsum sigillum. quem Rex dominus. Sancius.

dedit eis. et uidit illum. ad Petrum petri de sancto Genesio. et ipse Petrus petri. iudicauit

illos per illam.

(Portugaliae monumenta Histórica,vol 1 pág. 142)

 

PADROADOS

De. sancto. Petro. das fferrarias. Johannes. iohannis abbas. Johannes lupus. Pelagius iohannis. M enendus rolam.

Petrus menendiz. M artinus iohannis. Pelagius. petriz. Petrus

pelagiz Gunsaluus. menendiz. Pelagius. garcie. Johannes godijnz. iuratj. dixerunt quod

rex est patronus.

(Portugaliae monumenta Histórica,vol 1 pág. 196)

 

BENS DAS ORDENS

De. sancto. Petro. das fferrarias. Johannes iohannis abbas. Johannes lupus. Pelagius iohannis. M enendus rolam.

Petrus menendiz. M artinus iohannis. Pelagius. petriz. Petrus

pelagiz Gunsaluus. menendiz. Pelagius. garcie. Johannes godijnz. iuratj. dixerunt quod

    ISTA ECCLESIA HABET SENARIAS.

(Portugaliae monumenta Histórica,vol 1 pág. 245)

 

 

 

De  sancto. Vincentio. Et de  sancto. 

S aluatore. de Ermelo. et de Oueloo.

 

REGUENGOS

Pelagius pelagiz. M artinus pelagiz. de Oueloo. Pelagius reimondiz. Petrus maurus.

Pelagius gomiz. M artinus menendiz. Petrus barroso. M enendus menendiz. iurati.

dixerunt. quod domnus. Egidius habebat in termino de Oueloo. i. casale. in quo uis

poterat habitare unus homo et modo misit ibi .viiij. homines. et laborant in Regalengo et

faciunt illius forum. quod deberent facere regem.

(Portugaliae monumenta Histórica,vol 1 pág. 50)

FOROS E DÁDIVAS

De. sancto. Vincentio. Et de. sancto. S aluatore. de Ermelo et de Oueloo. Petrus

menendiz. M artinus petriz. Abbatis. Garcia. iustiz Gunsaluus petriz. M artinus iustiz.

Pelagius pelagiz. M artinus pelagiz. de oueloo Pelagius reimondiz. Petrus maurus.

Pelagius gomiz M artinus menendiz. Petrus barroso. M enendus menendiz. iurati.

dixerunt quod dant Rex de ecclesia. de Oueloo. in quocunque anno. i. morabitinum. et

in ipsa morantur modo. xx.ij. homines. et habant pro foro. quod quisque illorum. det in

quocunque anno. i. morabitinum. et v. fferros. et i. legom. et dant omnes insimul. unam

segur. et dant uitam M aiordomo in quocunque anno. siue tercio. et pectant. iij.

calumpnias. et dant luitosam. et dixerunt quod dant. cum torto. segur. et luitosam. Et

morabitinum. debent dare ultima die M agij. et si plus homines ibi uenerint habitare.

similiter dabunt. et si de istis aliquid inde recesserint nemo faciet forum pro illis. Et in

collatione. de Ermelo. morantur modo. Lªiij. homines. et faciunt per totum tale forum.

sicut homines de Oueloo. ergo. quod non dant. segur. sed dant unam sartagem. et nichil

est ibi negatum.

(Portugaliae monumenta Histórica,vol 1 pág. 134)

PADROADOS

De. sancto. Vincentio. et de  sancto. S aluatore de Ermelo. et de Oueloo. Petrus.

menendiz.  M artinus.  petriz  abbates.  Garcia.  iustiz.  Gomez  petriz.  M artinus  iustiz.

Pelagius. pelagiz. M artinus. pelagiz. de Ouelaoo. Petrus. menendiz. Pelagius reimondiz.

Petrus   maurus.  Pelagius  gomez.  M artinus.  menendiz.  Petrus  barroso.  M enendus

menendiz. iuratj. dixerunt quod rex est patronus. de ambabus ecclesijs istis.

(Portugaliae monumenta Histórica,vol 1 pág. 194)

 

BENS DAS ORDENS

DE S ancto  Vincentio  et  de  sancto  S aluatore  de  Ermelo et de  Oueloo.

 Petrus menendiz. et  M artinus petri abbates. Garcia. iustiz. Gomecius. petri. M artinus iustiz.

Pelagius  pelagiz.  M artinus  Pelagiz  de  oueloo.  Pelagius  reimondiz.  Petrus  maurus.

Pelagius  gomez.  M artinus  menendiz.  Petrus  barroso.  et  M enendus  menendiz.  jurati

dixerunt quod iste ecclesie habent Senarias. Arnoia .j. casale.

(Portugaliae monumenta Histórica,vol 1 pág. 243)

Nota explicativa:

Quem eram os inquiridores?

«Entre os inquiridores podiam contar-se eclesiásticos (sobretudo nas inquirições de 1220) e seculares, às vezes com elementos entre o clero ou entre o funcionalismo local. Mas já com D. Dinis [1279-1325] o inquiridor é, em geral, um valido do rei, com poucos contactos e naturalmente poucos conhecimentos nas zonas a investigar.»

E os inquiridos, quem eram?

«Em cada local eram convocados geralmente os «homens-bons» e alguns outros reconhecidos sabedores. Prestavam juramento sobre os Evangelhos de dizer a verdade e de nada ocultar. […] Registavam-se (mediante escrivães) primeiro as declarações do juiz do cada julgado e do pároco de cada freguesia. Seguiam-se, em lista mais ou menos longa, a maior parte dos “vizinhos”.»

 


Ferrarias medievais em Mondim

Ferrarias:

(expressão de origem latina) eram “as oficinas em que obrão ferros”. Eram também as forjas, isto é, as oficinas de ferreiro, e os fornos grandes onde se derrete o ferro que vem da mina, sendo a mina de ferro, também e simultaneamente, a ferraria.

Estas pressupõem “a existência de um forno de fundição, de minério nas redondezas e de aproveitamento do ferro extraído para fins metalúrgicos, tais como a produção de bens essenciais necessários à vida das populações”.

Mário Custódio e G. Monteiro falam-nos da existência  de verdadeiros “distritos de ferrarias” onde se incluiria o das “Terras de Basto”. In “O ferro de Moncorvo”.

Por sua vez, Jorge Barrocas refere: “… uma densa mancha de ferrarias que se estendia pela área leste das terras de Celorico e por toda a Terra de Panóias, resultante da exploração da segunda mais importante jazida de ferro de todo o norte de Portugal, implantada nas faldas do Marão e estendendo-se para leste sob a forma de pequenos alvéolos e jazidas. Esta era, sem dúvida, a área de maior atividade mineira…) in: “As ferrarias medievais do norte de Portugal

Pelo que acima fica dito, impõe-se um estudo sério sobre a importância daquela indústria para a economia local durante a idade média, para mais sabendo nós que Vilar de Ferreiros se chamava antes S. Pedro das Ferrarias.

Nas inquirições de 1220, Em Mondim de Basto um único casal pagava ao monarca 54 ferros. A antiga paróquia de S. Pedro de Vilar de Ferreiros pagava 12 “mallios tortos de ferro et ij. Ij ferros de singulis palmis”.  Parece muito? Parece pouco?

Vamos continuar a explorar o tema. Acrescentaremos a bibliografia que nos parecer pertinente para desbravarmos este caminho do qual ainda sabemos tão pouco.


Inquirições de 1258

«o primeiro objectivo» das Inquirições de 1258 era «realizar o inventário de todos os interesses que o rei detinha em cada lugar inquirido, revestissem eles a forma de propriedades, rendas, direitos, padroados de igrejas.»

Nota: estes documentos podem ser lidos em português atual entre as páginas 103 e 111 da obra: "Mondim de Basto, memórias históricas" do investigador Eduardo Teixeira Lopes, médico.


Foral

iluminura do livro dos "forais Velhos", ANTT

Uma Carta de Foral, ou Foral, é o documento real de concessão de foro jurídico próprio, isolado, diverso, aos habitantes medievais de uma povoação europeia (no caso português, também a qualquer nova localidade fundada no seu Império) que se queria libertar ou manter livre do poder senhorial ou feudal, erigindo-se em concelho, com autonomia municipal, ou seja, colocando-se no domínio e jurisdição exclusivas da Coroa, sob protecção pessoal específica concedida pelo Rei, mas sem ser incorporada no domínio patrimonial senhorial da Casa Real.

O foral concedia terras baldias para uso colectivo da comunidade, regulava impostos, portagens, taxas, multas, estabelecia direitos de protecção e obrigações militares para serviço real.

As cartas régias de foral concederam-se em Portugal desde o século XII ao XVI. As concessões de foral podiam também ser colectivas, copiando-se os forais de umas terras para as outras, como procedeu D. Manuel I.

A concessão de um foral constituiu muitas vezes uma medida de fomento, visando incentivar o povoamento em terras difíceis de desbravar e incrementar as culturas menos rendosas, como a da vinha, pela concessão, ao cultivador, de garantias de liberdade e dignidade pessoal que compensassem os seus esforços, numa época em que grande parte da população é ainda serva da gleba, ou escrava. Além das terras que pertenciam aos senhores e aos mosteiros, uma pequeníssima parte do território foi entregue ao povo. Essa entrega era acompanhada por um documento escrito - o foral ou carta do foral, passado aos habitantes de uma povoação e das terras à sua volta. As povoações que recebiam um foral passavam a ser concelhos. O pelourinho é o símbolo do concelho.

No foral vinham descritas as obrigações os habitantes dos concelhos, que não podiam ser alteradas, nem sofrer agravamentos como por exemplo, o aumento dos impostos.

Os forais eram na idade média, diplomas pelos quais o Rei ou Senhor garantia aos moradores determinada terra, certas regalias e privilégios, visando incrementar o povoamento e a fixação das pessoas. Em grande parte dos casos, as cartas de foral eram os documentos fundadores dos concelhos, regulando a vida jurídica, administrativa e comercial das populações.

Os Forais Novos, também conhecidos por Forais Manuelinos, foram regimentos de grande importância na época para as povoações, vieram normalizar o sistema contributivo do reino e reunir num único documento outras determinações que estavam dispersas.


Retirado de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Foral"

 

Foral de Mondim de Basto (onde se inclui Atei e Cerva)

Imagens retiradas do Site da Direcção-Geral de Arquivos : Livro dos Forais Novos de Trás-os-Montes (pesquisa: Código de referência PT-TT-LN/44 )


 

 Forais de Ermelo

 

 Em Abril de 1196 Dom Sancho I concedeu a primeira carta de foral a Ermelo,

 

in pt-tt-ln-42_m016

 

 confirmada, em Março de 1218, por novo foral passado em Santarém, por D. Afonso II.

 

 

Pelo fac-simile que está acima, refere-se que D.Afonso III concedeu foral em 1233.

Dom Manuel, a 3 de Junho de 1514, concede-lhe novo foral que pode ser lido abaixo.
Pelourinho de Ermelo

 

 

  BREVE INTERPRETAÇÃO DO CONTEÚDO DOS FORAIS MANUELINOS DE MONDIM, ATEI, ERMELO E CERVA.

Por Licínio Borges

     Os forais dos antigos concelhos que atualmente constituem freguesias do concelho de Mondim de Basto foram todos outorgados no ano de 1514, a 3 de junho, por D. Manuel I. Nos forais de Mondim e Atei, os direitos reais foram apurados através de inquirições, não se tratando, portanto, de forais medievais reformados, o que se aplica apenas ao foral de Ermelo. Embora Cerva não pertença ao concelho de Mondim, viu ser-lhe atribuído foral por D. Manuel I, a 3 de junho de 1514, incluído no mesmo foral de Mondim, o que se explica por se tratar do mesmo donatário, D. Pedro de Meneses.

     As inquirições acima referidas tiveram como principal finalidade, por um lado, averiguar os direitos e deveres das populações, dos senhores donatários e do próprio rei, e, por outro, corrigir os abusos dos senhores e dos seus funcionários e podem ser consultadas no IAN/TT, Gaveta 20, maço 11, doc. Nº 22, as referentes a Mondim, Atei, Ermelo e Cerva.

   As inquirições terminam com a recomendação de Rui Boto e Rui da Grã, que assinam o documento, para que se faça apenas um documento único ( registo) no tombo.

     As semelhanças entre os forais de Mondim, Atei, Ermelo e Cerva, são numerosas, tanto em termos físicos, como em termos de conteúdo.

     A grande quantidade de semelhanças entre os forais do atual concelho de Mondim de Basto deve-se ao facto de os diferentes lugares serem todos concelhos rurais onde os tributos eram estabelecidos tendo por base a exploração e utilização do solo, a criação e exploração de gado e alguma exploração mineira.

      Os tributos fixados em foral eram os seguintes:

     O foral de Mondim de Basto refere, nas disposições iniciais, que o concelho deveria pagar 10800 reais. Com esse pagamento todos os direitos reais passavam para o concelho com exceção do pagamento da pensão do tabelião, bem como os pagamentos em ouro, prata ou quaisquer outros, que também se mantinham. Para além destes direitos reais, não eram obrigados a mais nenhuns. Refira-se que, os referidos 10800 reais tinham que ser pagos pelos vizinhos de Mondim, apesar de, à data do foral, Vilar de Ferreiros já pertencer a Mondim, os seus moradores não contribuíam para aquele imposto pois tinham de pagar 110 reais anuais a Ermelo, pelo emprazamento da quinta da Lavandeira, propriedade do rei. Não há referência à existência de “casais igrejeiros“.

    No concelho de Atei

    Dado não haver memória de foral antigo, deveria continuar-se a pagar os foros que já se pagavam de acordo com o que havia sido transmitido nas inquirições. Para além disso, os “casais igrejeiros” deveriam pagar 16 reais ao ano, pelo S. João, altura em que deveriam ser pagas, também, as outras rendas da terra. A marrã (poderia significar também leitão ou porco pequeno), que pagava 80 reais estava a ser paga efectivamente a 150 cada, um autêntico abuso. Assim, passariam a pagar 120 reais cada desde que pesasse 40 arráteis. Senão pagaria 3 reais por cada arrátel em falta, num pagamento nunca inferior a 30 reais. De igual forma, os foreiros receberiam três reais por cada arrátel que a peça tivesse para além dos quarenta obrigatórios.

 

No concelho de Ermelo

     O único dos 4 concelhos que vê a sua situação assentar numa continuidade que vinha do tempo de D. sancho I e confirmada nos reinados seguintes. Assim, cada morador deveria pagar ao rei a quantia de 45 soldos por ano (1 marevedi velho no valor de vinte e sete soldos e mais 18 soldos). Os viúvos ou viúvas pagavam metade. As cabaneiras, homens e mulheres que nunca casaram, e que viviam no concelho deviam pagar 5 soldos, no máximo e 1, no mínimo. E os “casais igrejeiros” não pagavam este foro.

     Deste direito estavam isentos os órfãos, quer vivessem no concelho ou não, enquanto estivessem em poder de outro ou não tivessem casa própria.

 

No concelho de Cerva

      Os foros ao rei continuariam a ser pagos segundo a tradição, isto é, de acordo com os emprazamentos e foros em vidas, anteriormente acordados e segundo o que, por escrituras particulares, estava estabelecido. Isto é, mantinha-se, sem qualquer alteração o que havia sido obtido na inquirição manuelina. Os “casais igrejeiros”, passariam a pagar em cada ano, pelo S. João, dezasseis reais como antigamente pagaram sem qualquer aumento.

 

     Exceptuando as disposições tributárias iniciais que acabámos de analisar, todos os forais seguem o mesmo esquema e fazem referência aos mesmos tributos (que incidiam sobre o exercício de actividades económicas e judiciais), privilégios e consequências para quem não cumprisse o disposto no foral.

Maninhos (terrenos incultos) e montados (terrenos destinados a pastos)

     A gestão dos terrenos não cultivados, os maninhos, e dos terrenos destinados a pastos, os montados, eram da competência da câmara em Mondim, Cerva e em Ermelo. Era esta entidade que tinha o poder de decidir do usufruto das terras incultas: o pedido de alienação de terras comuns através de aforamento ou venda não poderia prejudicar os vizinhos e nenhum foro extraordinário deveria ser acrescentado. No caso concreto do foral de Atei é explicitamente referida a pessoa que pode dar os maninhos: estes podem ser dados pelo senhorio pelo preço que for acertado mas sem prejudicar as saídas e logramentos dos outros casais que estavam aforados e ainda respeitando as disposições da lei das Sesmarias.

      Os forais referem que este tributo não era cobrado porque estão em vizinhança com seus vizinhos/comarcãos, acrescentando-se ainda nos forais de Atei e Cerva que se poderão seguir as posturas dos concelhos.

Pensões

  Uma atividade sobre a qual incidiam direitos reais era a dos tabeliães, que deviam pagar uma pensão anual. Nos forais de Mondim, 1 tabelião; Cerva, 1 tabelião e Atei, 2 tabeliões, faz-se apenas referência a que as pensões seriam pagas “segundo sempre fizeram” não se discriminando a quantia que cada um deveria pagar. No foral de Ermelo refere-se que o tabelião paga 160 reais e que cada uma das igrejas, Ermelo, Bilhó e Vilar de Ferreiros deveriam pagar 48.5 reais. No foral de Cerva refere-se que a pensão é do senhorio.

Gado do vento (gado encontrado abandonado nos campos)

     Esta expressão era utilizada para fazer referência aos animais que se perdiam. Estes deveriam ser guardados em lugar próprio, durante um período de tempo, até os donos os reclamarem. Passado este prazo, os animais revertiam ou para o concelho (caso do foral de Mondim) ou para o senhorio (caso dos forais de Cerva, Atei e Ermelo). Quem encontrasse gado perdido tinha um prazo de dez dias para o entregar e não ser acusado de furto.

Pena de arma (utilização indevida de armas)

     Esta cláusula, presente nos 4 forais, e remetendo sempre para o escrito no foral de Vilarinho da Castanheira, tinha o propósito de penalizar e incriminar aqueles que fossem portadores de armas ou as usassem indevidamente, prescrevendo-se que quem utilizasse armas e ferisse outrem seria condenado ao pagamento de 200 reais e perderia as armas. Todavia, grande parte do texto prende-se com a apresentação de casos em que os indivíduos não incorriam em penas. Ficavam ilibados os que tivessem espada ou qualquer outra arma mas não as usassem; os que ferissem alguém, sem intenção, com pau ou pedra; os que empunhassem armas propositadamente mas não ferissem ninguém; rapazes até aos 15 anos; mulheres de qualquer idade; os que castigassem mulher, filhos ou escravos mesmo que os ferissem; os que, mesmo sem arma, ferissem utilizando as próprias mãos; os que ferissem em sua própria defesa ou ao tentarem apartar pessoas; escravos de qualquer idade que ferissem outrem sem utilizarem ferros.

     No foral de Atei refere-se que quem ficava com as armas era o juiz, se as apreendesse durante a desavença.

 

Canais do rio

      Dos 4 forais analisados, apenas no de Mondim se faz referência aos canais do rio: os mesmos eram pertença do concelho e podiam ser alugados.

 

Conclusão:

     Os forais de D. Manuel I, ditos “forais novos“ atualizaram os forais antigos, há altura desatualizados e deturpados, como é o caso de Ermelo, ou, quando estes não existiam, como é o caso de Mondim, Atei e Cerva, oficializaram por escrito os tributos, foros e direitos reais que localmente era costume pagar. Esta reforma, ocorrida numa época de progressivo robustecimento do poder do rei, de uniformização jurídica e de incentivo às relações económicas entre as vilas e seus termos, se eventualmente reduziu a autonomia dos concelhos, também permitiu clarificar e atualizar a linguagem, a conversão de pesos e medidas, fixar na moeda corrente valores a pagar, alterar o sistema de cobrança de portagens e outros tributos e, deste modo, evitar abusos nas cobranças por parte dos grandes senhores.

 

Mondim de Basto, 25 de abril de2014.

 

 

Recreação do foral de Ermelo

recreação na EB2,3/S de Mondim a 31 de maio de 2010

 

Dados históricos de Ermelo

1196, Abril - Carta de aforamento passada por D.
Sancho I aos moradores de Ermelo;
1218, Março - D.
Afonso II confirma a Carta de Foral concedida a Ermelo por seu pai;
1220 - nas Inquirições de D.
Afonso II, Ermelo é referida como sendo do padroado real, tendo a paróquia 54 pessoas;
1258 - as Inquirições de D.
Afonso III referem o pároco de Ermelo, Martinho Pedro, e a paróquia como sendo composta pelas vilas de Ermelo, Chafan, Campanoo, Pazoo, Pardelas, Bozas, Barreiros, Busto Mediano e Toutusa;
1385, 14 Agosto - Gonçalo Vaz, o Moço, de Ermelo, salva o Mestre de Avis na Batalha de Aljubarrota, sendo-lhe concedidos privilégios especiais;
1514, 3 Junho - D.
Manuel I concede novo Foral a Ermelo e seu termo;
1523, 1 Agosto - D.
Estevão, abade da igreja de Ermelo e do Bilhó, mandou fazer o inventário dos bens da igreja;
1561, 11 Março - o conde de Cantanhede, D.
João de Meneses, donatário da igreja de Ermelo, por morte do abade Manuel de Sá apresentou o seu capelão Afonso Manso, para a ocupar, sendo a confirmação feita pelo Arcebispo de Braga, Frei Bartolomeu dos Mártires;
1565, 24 Maio - por renúncia do abade Afonso Mendes, o conde de Cantanhede apresenta o beneficiado D.
Pedro para o lugar vago;
1565 - confirmação da igreja de Ermelo a favor de João Ribeiro;
1583, 25 Agosto - título da igreja a favor do Licenciado Fernão Galindes Mogolhão;
1682, 18 Julho - por demissão de Gonçalo da Silva, título a favor do PE. João Mendes;
1693, 24 Fevereiro - D.
Afonso VI assina alvará para a criação de uma feira mensal e outra anual em Ermelo;
1696 - o abade João Mendes manda edificar a torre da igreja;
1698 - data gravada num silhar da torre;
1707, 28 Agosto - o abade PE. Luís Pereira de Vasconcelos ordena a realização do tombo dos bens da igreja;
1707 - satisfazendo a pastoral do Arcebispo de Braga, D.
Rodrigo de Moura Teles, o mesmo pároco redige o Livro dos Usos e Costumes da Igreja de Ermelo;
1708, 25 Maio - título de apresentação a favor do PE. Luís Pereira de Vasconcelos;
1732, 16 Janeiro - demissória, por 2 anos, do PE. Simeão Correia;
1753, 27 Janeiro - o Marquês de Marialva apresentou para pároco o PE. Paulino de Leão Cabral;
1754, 25 Janeiro - conferido o título de abade ao PE. Paulino de Leão Cabral;
1758 - o abade de Ermelo, PE. Paulino de Leão Cabral, refere-se à igreja de que He orago Sam Vicente de Ermello tem sinco altares, o altar major com o Santissimo Sacramento, e collaterais o altar do Santo Christo, de Nossa Senhora da Tocha, da Senhora do Rosário e de Santo António;
1758, 2 Maio - instituída a Irmandade das Almas, sendo confirmados os estatutos na semana seguinte;
1763, 27 Maio - Carta de Encomendação a favor do PE. António Ferreira Alves;
1763, 17 Setembro - título de abade de Ermelo conferido ao Reverendo Manuel Henriques de Fontes, de Mariana no Brasil;
1779, 4 Outubro - o PE. Francisco Moreira obteve licença para dizer missa durante 2 anos;
1780, 19 Maio - passada Carta de Ordens ao PE. Damião José Bernardes;
1782, 14 Agosto - provisão da nomeação do Reverendo Manuel Henriques de Fontes para a visita da 2ª parte de Vila Real tendo por secretário o PE. Diogo Teixeira de Oliveira, de Borba de Godim;
1795, 16 Julho - por sentença apostólica, o Reverendo Manuel Custódio de Abreu Bacelar obteve a igreja de Ermelo e suas anexas;
1836 - com a Reforma Administrativa foram agrupadas ao concelho de Ermelo as freguesias de Vila Cova, Quintã e Campeã;
1843, 3 Agosto - os moradores de Ermelo pedem ao rei D. Pedro IV a conservação do concelho;
1853, 31 Dezembro - o concelho é extinto e integrado no de Mondim de Basto

1967 - grande incêndio destrói a igreja;
1968 - início das obras de reconstrução da igreja;
1998 - construção do muro do adro.

 

A Extinção do concelho de Ermelo

Decreto de 31 de Dezembro de 1853

 


A Extinção do Concelho de Atei em 1836

O decreto de 6 de Novembro de 1836 foi publicado no Diario do Governo, n.º 283, de 29 de Novembro de 1836, pág. 1321, mas não se acham neste lugar os "mapas respectivos" em que deveria constar a lista dos concelhos extintos e os subsistentes. Os "mapas respectivos" também não se encontram anexos à publicação do mesmo decreto na colectânea legislativa periodicamente lançada pela Imprensa Nacional: Collecção de Leis e outros Documentos Officiaes publicados desde 10 de Setembro até 31 de Dezembro de 1836, Sexta Série, Lisboa, Imprensa Nacional, 1837, pp. 112-113. A única fonte em que os encontrámos é a seguinte: Collecção da Legislação, Promulgada em 1836, Lisboa, Na Typ. de Elias José da Costa Sanches, 1836. O mapa vi-o como anexo ao decreto assinalado no post imediatamente em http://babel.hathitrust.org/cgi/pt?id=hvd.32044061900585#page/n7/mode/1up.


O funcionalismo camarário

O funcionalismo camarário constituiu um dos pilares da administração

local do Antigo Regime, auxiliando os seus agentes nas mais variadas

tarefas da governação e assegurando o quotidiano camarário nos intervalos,

mais ou menos longos e irregulares, das reuniões de vereação.

A designação, as funções, os vencimentos, o modo de provimento e até

a origem social, divergiam consoante os concelhos, reflectindo as especificidades

administrativas concelhias da época.

O seu número era também variável, consoante a categoria político-administrativa,

a extensão e os habitantes dos municípios. Em qualquer dos casos, mantinha-se consideravelmente

inferior ao atual, reflectindo a escassez de quadros técnicos, mais evidente no interior do país e fora dos

grandes centros urbanos, mas também a debilidade burocrática da época.

Segundo as " Ordenações filipinas" as câmaras municipais tinham funções

 administrativas, judiciais, fazendárias e de polícia. Eram formadas por dois juízes

ordinários, um deles com a função de presidente da câmara, três, ou quatro, vereadores,

um procurador e um tesoureiro, além de outros oficiais de menor importância: os almotacés,

que desempenhavam a função de fiscal, o escrivão, o porteiro, o meirinho, entre outros.

As eleições municipais

O sistema eleitoral para os principais cargos das câmara municipais – juízes,

vereadores e procurador -, foi-se definindo e sendo codificado desde meados do século

XIV, e esteve em vigência até finais do Antigo Regime. As Ordenações tratam das

eleições municipais no Livro I, Título LXVII. Eram previstas eleições a cada três anos, nas

Oitavas de Natal, sendo que os mandatos eram anuais. A esta eleição trienal dava-se o

nome de “eleição de pelouros”. O termo “pelouro”, refere-se à bola de cera na qual era

inserida a lista com os nomes dos escolhidos para os cargos.

Para a realização dessas eleições trienais, em um primeiro momento, convocava-se

o povo e os “homens-bons” para votarem secretamente em seis indivíduos, os eleitores,

que escolheriam os futuros oficiais. A apuração dos nomes dos indivíduos que

participariam do processo como eleitores, deveria ser feita pelo juiz da eleição e pelos

vereadores, que escolheriam os mais votados. No caso da vila contar com juiz de fora, este

presidiria o processo. Também era necessária a presença do corregedor, ou do ouvidor,

responsável pela comarca à qual a vila pertencia. Quando um destes estivesse presente,

cabia a ele a direção dos trabalhos da eleição.

Estando escolhidos os seis eleitores, a eles era dado o juramento dos Santos

Evangelhos. A seguir, eram separados de dois em dois, evitando-se o parentesco até o

quarto grau, para elaborarem as listas com os nomes daqueles que serviriam nos três anos

seguintes. Cada dupla elaborava uma câmara (dois juízes, três vereadores e um

procurador), para cada ano.

As pautas que continham os nomes dos indicados para desempenharem as funções

de juiz ordinário, vereador e procurador eram “limpas” pelo juiz da eleição que elaborava

uma pauta, separando os cargos por títulos (um para juízes, outro para vereadores e outro para

procuradores). Fazia pelouros para cada cargo (três para juízes, três para vereadores e

três para procuradores), e os colocava em um saco com repartições para cada ofício.

Em seguida elaborava três câmaras, uma para cada ano, as assinava, fechava e lacrava,

inserindo-as em uma das repartições. Este saco era guardado em um cofre com três chaves,

e estas deveriam ser entregues aos vereadores em exercício.

Á medida que nos vamos aproximando do fim do "Antigo Regime" as regras vão sendo aprimoradas até porque

“se mettem ordinariamente no governo das terras pessoas incapazes, e que não tem partes, e qualidades para servirem”.

Em baixo pode ver a pauta dos eleitos para o triénio de 1778, 79 e 80 para o concelho de Mondim de Basto.

 


Numeramentos

Em 1527, D. João III determinou com brevidade, sem indicar a razão que o movia, o arrolamento em livros especiais e apartados dos moradores das cidades, vilas e lugares das comarcas do reino, tanto os que viviam no “corpo” das povoações como nos seus arrabaldes e termos. No numeramento devia ficar declarado “por seus nomes as aldeias encontradas nos mesmos termos, e quantos moradores em cada uma dellas, e assim mesmo quantos vivem isolados em quintas, casaes ou herdades”. Prescreveu-se ainda que fosse notado “quantas legoas cada cidade e vila tem de termo para cada parte, e bem assim das confrontações de cada um dos termos”.

Finalmente, foi ordenado que se fizesse o numeramento até mesmo nas terras de senhorio ou priveligiadas, onde os corregedores das comarcas não costumavam entrar a “fazer correição”.

O inquérito devia ser orientado segundo instruções rigorosas, que nos fornecem uma valorizaçãombem ilucidativa quanto à orgânica social da população, segundo os conceitos da época. Primeiro apontava-se o número de moradores da localidade, homens e mulheres, e destes quantos eram priveligiados. Depois hierarquizavam-se as categorias, tendo em  conta a qualidade das pessoas ou dos privilégios, pela forma saeguinte:

  1. Clérigos
  2. Fidalgos
  3. Cavaleiros
  4. Escudeiros
  5. Espingardeiros
  6. Besteiros
  7. Privelegiados de privilégio de fidalgo
  8. “                “     de desembargadores
  9. “               “     da misericórdia
  10. “               “     de monteiros
  11. “              “      da cidade
  12. “              “   de qualquer outro género

 

In Virgínia Rau

 

Algumas das principais contagens da população portuguesa foram em:
1527 — Numeramento ou Cadastro Geral do Reino, de D. João III
1732 — Lista dos Fogos e Almas que Há nas Terras de Portugal, de D. João V (Censo do Marquês de Abrantes)
1798 — Numeramento de Pina Manique, de D. Maria I
1801 — Recenseamento Geral do Reino, de D. João VI (Censo do Conde de Linhares)
1864 — 1º Recenseamento Geral da População (segundo as orientações do Congresso Internacional de Estatística, em Bruxelas)
1970 — 1º Recenseamento Geral da Habitação.
 
Relativamente ao atual concelho de Mondim de Basto (incluindo Atei e Ermelo) segue-se a fonte (Archivo Histórico Portuguez, vol VII) e respetivas páginas onde podemos recolher os dados.
 
 
 
 

                                  nota: [Apesar do cuidado com que foi feito o numeramento, a conversão de vizinhos ou fogos em habitantes, usando-se geralmente o multiplicador atual 4, é incerta, diferentes nas cidades e vilas maiores e no campo; não é impossível que às vezes se tenham contado as pessoas pelos róis de confissão (excluídas as crianças), o que dá um valor mais elevado do que o de vizinhos ou fogos, isto é, chefes de famílias...]

in: j. Galego e S. Daveau - O Numeramento de 1527-1532. Tratamento cartográfico, Lisboa, 1986, p. 107.

 

 

Descripçam Corografica do Reyno de Portugal 1739

 

Dados referentes a Mondim, Atei e Ermelo no ano de 1739


Recenseamento 1864
 

1864 - 1 de Janeiro (I Recenseamento Geral da População)

 “O Censo é suscetível de perfeição sucessiva” (Lê-se na nota introdutória)

Em 1864 realizou-se o primeiro recenseamento geral da população, tendo por base as orientações do Congresso Internacional de Estatística, que teve lugar em Bruxelas, em 1853.

Foi utilizado o método da recolha direta, nominativa e simultânea, baseada em boletins de família.

Mandado executar pelo Decreto de 9 de julho de 1863 e, o Decreto de 23 de julho do mesmo ano, que regulava o processo do recenseamento e respetivas instruções.

Todos os indivíduos reinicolas ou estrangeiros foram recenseados no mesmo dia nos logares onde passaram a noite. Em seguida às pessoas presentes, relacionavam-se as que, fazendo habitualmente parte da família, estavam então temporariamente ausentes. (…) O censo de 1864, tomando por base a população de facto, conformou-se com as conclusões dos congressos internacionais de estatística…

Para Mondim de Basto o resultado (7059 hab.) pode ser visto no quadro abaixo:

in: "Educação, Sociedade e Desenvolvimento em Mondim de Basto...", Licínio Borges, UM. Braga 1999. Documento disponível online.


Código Administrativo de 1842

Código administrativo portuguez, ou Decreto de 18 março de 1842. Ao qual se ajunctam o mappa da ultima divisão do territorio; um indice alphabetico e remissivo; uma synopse da legislação posterior ao mesmo codigo; e apostillas ...

Como podemos observar, Atei já não é referida aqui...


Dados do Diccionario Geographico 1850

autor: Paulo Perestrello da Camara


Mondim  sacro-profano 1767

in: "Portugal Sacro-Profano", lisboa 1767, Paulo Dias de Niza.


Dados do Dicionário Geográfico de 1853

 

ATEI

 

ERMELO

 

MONDIM de BASTO


Dados da corografia Portugueza 1868

Corografia Portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de ..., Volume 1: com as noticias das fundações das cidades, villas, & lugares, que contem, varões illustres, genealogias das familias nobres, fundações de conventos, catalogos dos bispos, antiguidades, maravilhas de natureza, edificios & outras curiosas observaçoens

 

Freguezias

Oragos

Fogos

Diocese

Correio e Concelho

Athey

S.Pedro

383

Braga

Mondim de Basto

Bilhó

O Salvador

207

Braga

Mondim de Basto

Campanhó

Santa Barbara

69

Braga

Mondim de Basto

Ermello

S. Vicente

240

Braga

Mondim de Basto

Paradança

S. Jorge

80

Braga

Mondim de Basto

Pardelhas

S. João Baptista

46

Braga

Mondim de Basto

Mondim de Basto

S. Christovao

420

Braga

Mondim de Basto

Villar de Ferreiros

S. Pedro

272

Braga

Mondim de Basto

António Carvalho da Costa - 


Dados do DICCIONARIO DA CHOROGRAPHIA DE PORTUGAL 1884


in Diccionario da chorographia de Portugal contendo a indicação de todas as cidades, villas e freguezias... / coord. por J. Leite de Vasconcellos. - Porto : Livraria Portuense de Clavel, 1884. - [8], 191 p. a 2 colns ; 21 cm

 


Mondim no Dicionário Geográfico,..

in: RODRIGUES, Guilherme; PEREIRA, João Manuel Esteves - Portugal: dicionário histórico, chorográfico, biographico, bibliographico, heraldico, numismatico e artístico, 7 vol. Lisboa: João Romano Torres e Cª,1904-1915;

nota: conforme for arranjando os dados do resto do concelho aqui serão colocados.


Apresentação das Memórias Paroquiais de 1758

As Memórias Paroquiais de 1758 inserem-se numa prática setecentista de inquérito. O objectivo destes questionários era obter um maior conhecimento do território.

Data Entidade Responsável Objectivo
1721 Academia Real da História Hist. Ecl. e secular do Rnº e conquistas
1732 Secretaria de Estado Dicionário Geográfico Pe. L. Cardoso (2 vols. - A-C publicados)
1756 Secretario Diogo de Mendonça Corte Real pede informação aos corregedores Efeitos do sismo de 1755
1758 Pe. Luís Cardoso Dicionário Geográfico

Em geral, na primeira metade do séc. XVIII, quem respondia eram os párocos e assim aconteceu com o de 1758.

Este inquérito, mais tarde conhecido como Memórias Paroquiais, retoma o efectuado em 1732 e do qual resultaram dois volumes (letras A-C). Foram intitulados Dicionário Geográfico de Portugal e publicados pelo Pe. Luís Cardoso, em 1747 e 1751. Aí foi inaugurada a trilogia organizativa: terra/serra/rio, que esteve presente em 1758.

O coordenador deste interrogatório do início da segunda metade do século XVIII terá sido na mesma o Pe. Luís Cardoso (1697-1769). Pretenderia retomar o seu projecto de Dicionário, depois do Terramoto de 1755.

Em torno da terra gizaram-se 27 perguntas. Através das respostas é possível saber onde ficava situada, de quem era a jurisdição da localidade, qual a sua população, que título tinha o pároco e quantos eclesiásticos e respectivas rendas tinha a igreja; se havia conventos, hospitais, misericórdias, ermidas e romarias; se tinha alguma feira, privilégios e antiguidades, fontes ou lagoas, ou muralhas e castelo, bem como personagens ilustres. Perguntava-se também pelos serviços de correio, pelas produções da terra e pelos danos do sismo de 1755.

No respeitante às serras, os pontos inquiridos eram apenas 13. O objectivo seria conhecer o nome, dimensões, cursos de água que ali nascessem, ou ainda minas, ervas, plantas e tipo de clima. A existência de povoações, mosteiros e igrejas, gado ou caça não ficaram esquecidos.

Sobre os rios foram organizadas 20 questões. Apuravam o nome, o fluxo e volume das águas, a intercessão por outros cursos aquíferos, a navegabilidade, bem como as pescarias, o cultivo das margens e o aproveitamento e propriedades das águas. Inquiria-se também sobre a existência de pontes e se em algum tempo se retirou ouro de aluvião das suas areias.

De notar que qualquer uma das partes encerrava com a recomendação: “E qualquer outra coisa notável que não vá neste interrogatório”. Era uma forma de captar outras particularidades da freguesia.

Quando os párocos eram prolixos, os textos constituem um excelente repositório sobre a zona. Uns copiaram de novo as questões, outros limitaram-se a responder de forma ordenada, mantendo o número da pergunta no seu texto. Outros redigiram um texto compacto sobre o inquérito sem assinalar as perguntas. Ao todo a Torre do Tombo guarda 44 volumes de Memórias Paroquiais, todos manuscritos e disponíveis online. Na realidade, apenas 41 volumes correspondem aos papéis enviados pelos párocos. A estes somou-se: um volume equivalente a um índice e dois que reúnem reconstituições de cerca de 500 freguesias, cujas respostas dos padres coevos nunca chegaram às mãos do compilador.

 

Questionário das memórias paroquiais:
INQUÉRITO I -

O que se procura saber desta terra é o seguinte:
Venha tudo escrito em letra legível e sem breves
1. Em que província fica, a que bispado, comarca, termo e freguesia pertence?
2. Se é d’el-Rei, ou de donatário, e quem o é ao presente?
3. Quantos vizinhos tem, e o número de pessoas?
4. Se está situada em campina, vale, ou monte e que povoações se descobrem dela, e quanto distam?
5. Se tem termo seu, que lugares, ou aldeias compreende, como se chamam, e quantos vizinhos tem?
6. Se a Paróquia está fora do lugar, ou entro dele, e quantos lugares, ou aldeias tem a freguesia, e todos pelos seus nomes?
7. Qual é o seu orago, quantos altares tem, e de que santos, quantas naves tem; se tem Irmandades, quantas e de que santos?
8. Se o Pároco é cura, vigário, ou reitor, ou prior, ou abade, e de que apresentação é, e que renda tem?
9. Se tem beneficiados, quantos, e que renda tem, e quem os apresenta?
10.Se tem conventos, e de que religiosos, ou religiosas, e quem são os seus padroeiros?
11.Se tem hospital, quem o administra e que renda tem?
12. Se tem casa de Misericórdia, e qual foi a sua origem, e que renda tem; e o que houver de notável em qualquer destas coisas?
13. Se tem algumas ermidas, e de que santos, e se estão dentro ou fora do lugar, e a quem pertencem?
14. Se acode a elas romagem, sempre, ou em alguns dias do ano, e quais são estes?
15. Quais são os frutos da terra que os moradores recolhem com maior abundância?
16. Se tem juiz ordinário, etc., câmara, ou se está sujeita ao governo das justiças de outra terra, e qual é esta?
17. Se é couto, cabeça de concelho, honra ou behetria?
18. Se há memória de que florescessem, ou dela saíssem, alguns homens insignes por virtudes, letras ou armas?
19. Se tem feira, e em que dias, e quanto dura, se é franca ou cativa?
20. Se tem correio, e em que dias da semana chega, e parte; e, se o não tem, de que correio se serve, e quanto dista a terra aonde ele chega?
21. Quanto dista da cidade capital do bispado, e quanto de Lisboa, capital do Reino?
22. Se tem algum privilégio, antiguidades, ou outras coisas dignas de memória?
23. Se há na terra, ou perto dela alguma fonte, ou lagoa célebre, e se as suas águas tem alguma especial virtude?
24. Se for porto de mar, descreva-se o sitio que tem por arte ou por natureza, as embarcações que o frequentam e que pode admitir?
25. Se a terra for murada, diga-se a qualidade dos seus muros; se for praça de armas, descreva-se a sua fortificação. Se há nela, ou no seu distrito algum castelo, ou torre antiga, e em que estado se acha ao presente?
26. Se padeceu alguma ruína no terramoto de 1755, e em quê, e se está reparada?
27. E tudo o mais que houver digno de memória, de que não faça menção o presente interrogatório.
 
II - O que se procura saber dessa serra é o seguinte:
1. Como se chama?
2. Quantas léguas tem de comprimento e quantas tem de largura, aonde principia e acaba?
3. Os nomes dos principais braços dela?
4. Que rios nascem dentro do seu sítio, e algumas propriedades mais notáveis deles; as partes para onde correm e onde fenecem?
5. Que vilas e lugares estão assim na Serra, como ao longo dela?
6. Se há no seu distrito algumas fontes de propriedades raras?
7. Se há na Serra minas de metais, ou canteiras de pedras, ou de outros materiais de estimação? 8. De que plantas ou ervas medicinais é a serra povoada, e se se cultiva em algumas partes, e de que géneros de frutos é mais abundante?
9. Se há na Serra alguns mosteiros, igrejas de romagem, ou imagens milagrosas?
10. A qualidade do seu temperamento?
11. Se há nela criações de gados, ou de outros animais ou caça?
12. Se tem alguma lagoa ou fojos notáveis?
13. E tudo o mais que houver digno de memória?
 
III- O que se procura saber do RIO dessa terra é o seguinte:
1. Como se chama assim, o rio, como o sitio onde nasce?
2. Se nasce logo caudaloso, e se corre todo o ano?
3. Que outros rios entram nele, e em que sitio?
4. Se é navegável, e de que embarcações é capaz?
5. Se é de curso arrebatado, ou quieto, em toda a sua distância, ou em alguma parte dela?
6. Se corre de norte a sul, se de sul a norte, se de poente a nascente, se de nascente a poente?
7. Se cria peixes, e de que espécie são os que traz em maior abundância?
8. Se há nela pescarias, e em que tempo do ano?
9. Se as pescarias são livres ou algum senhor particular, em todo o rio, ou em alguma parte dele?10. Se se cultivam as suas margens, e se tem muito arvoredo de fruto, ou silvestre?
11. Se têm alguma virtude particular as suas águas?
12. Se conserva sempre o mesmo nome, ou começa a ter diferente em algumas partes, e como se chamam estas, ou se há memória que em outro tempo tivesse outro nome?
13. Se morre no mar, ou em outro rio, e como se chama este, e o sitio em que entra nele?
14. Se tem alguma cachoeira, represa, levada, ou açudes que lhe embaracem o ser navegável?
15. Se tem pontes de cantaria, ou de pau, quantas e em que sitio?
16. Se tem moinhos, lagares de azeite, pisões, noras ou algum outro engenho?
17. Se em algum tempo, ou no presente, se tirou ouro das suas areias?
18. Se os povos usam livremente as suas águas para a cultura dos campos, ou com alguma pensão?
19. Quantas léguas tem o rio, e as povoações por onde passa, desde o seu nascimento até onde acaba?
20. E qualquer coisa notável, que não vá neste interrogatório.

 


 

DAS MEMÓRIAS PAROQUIAIS DE 1758

Atei

 

José Rodrigues, encomendado de Atei (Mondim de Basto).

 

MONDIM DE BASTO (concelho)

 


 

 

 


Tribunal do Santo Ofício

 
a Inquisição estendeu-se ao longo de quatro séculos,  de 17 de Dezembro de 1531, a data da sua criação, a 5 de Abril de 1825 a data oficial da sua extinção.
 
 Tribunal do Santo Ofício
 

 

<b>Bula do papa Paulo III<br>"Meditatio cordis"<br>de 16 de Julho de 1547<br>que estabelece a Inquisição<br>em Portugal</b>
Bula do papa Paulo III
"Meditatio cordis"
de 16 de Julho de 1547
que estabelece a Inquisição
em Portugal
História:
D. João III negociou vários anos a instituição do Tribunal do Santo Oficio em Portugal. Em 1532 viu os seus intentos satisfeitos pelo papa Clemente VII que lho concedeu pela bula Cum ad nihil magis, de 17 de Dezembro, na qual nomeava inquisidor D. Fr. Diogo da Silva. A reacção e protestos dos cristãos novos fizeram com que o mesmo pontífice revogasse aquela bula pela Sempiterno Regi, de 7 de Abril de 1533. Perante o desaire, o soberano não desistiu e moveu influências. Paulo III, que sucedera a Clemente VII, respondeu com o breve Intel' coetera ad nostrum, de 17 de Março de 1535, aconselhando o monarca a seguir as regras da piedade e não as da vingança e mandou executar o perdão concedido pelo seu antecessor. D. João III travou em Roma uma luta cara, a que não foram alheias as intrigas e subornos, conseguindo que o mesmo papa Paulo III instituisse em Portugal o Tribunal do Santo Oficio pela bula Cum ad nihil magis, de 23 de Maio de 1536. Dirigida aos bispos de Ceuta, de Coimbra e de Lamego, nomeava-os seus comissários e inquisidores em Portugal para procederem contra os cristãos novos e contra todos os culpados em crime de heresia. Em 1539 D. Diogo da Silva renunciou ao cargo de inquisidor-mor e D. João III nomeou seu irmão, o infante D. Henrique, arcebispo de Braga e futuro cardeal. Essa nomeação não foi bem aceite por Paulo III que, todavia, acabou por lhe conceder os poderes antes dados aos inquisidores. Estava definitivamente instituída a Inquisição em Portugal nos moldes ambicionados pelo rei Piedoso.


Tribunal simultaneamente régio e eclesiástico, inseria-se na política de centralização do poder. A sua criação e os seus membros estavam ligados à Igreja, mas todo o funcionamento era superiormente controlado pelo rei, desde a nomeação dos inquisidores-gerais, que despachavam directamente com o monarca, até à execução das penas de morte, para o que os condenados eram entregues ao braço secular.


O Tribunal do Santo Oficio estendeu a sua acção a todo o país e a quase todos os territórios submetidos à Coroa portuguesa no longo período da sua existência (1536-1821). Para efeitos do exercício do poder inquisitorial, as diferentes regiões do Reino estavam adstritas aos tribunais de Lisboa, de Coimbra e de Évora (os de Tomar, Porto e Lamego tiveram vida efémera). As ilhas do Atlântico, o Brasil e os territórios portugueses da costa ocidental de África, dependiam do tribunal de Lisboa e os da costa oriental africana dependiam do tribunal de Goa, criado em 1560.


Nos primeiros tempos o Tribunal português regeu-se pelas normas da Inquisição espanhola. Datam de 1541 as primeiras instruções portuguesas para o seu funcionamento, por ocasião do estabelecimento do tribunal em Coimbra, e o primeiro regimento só foi dado em 1552. A Inquisição teve segundo regimento em 1613, um terceiro em 1640 e o último data de 1774.


As leis pombalinas, a que declarou abolida a distinção entre cristãos novos e cristãos velhos e a que equiparou o Santo Oficio aos outros tribunais régios, retirando a censura da sua alçada, fizeram o Santo Oficio perder a sua anterior vitalidade. O regime liberal deu o golpe final à Inquisição portuguesa: em 1821 as Cortes Gerais Constituintes decretaram a sua extinção.

 

Processo de Pedro Dinis Pereira

Nível de descrição
Documento composto Documento composto
Código de referência
PT/TT/TSO-IC/025/04373
Datas de produção
1625-06-19 A data é certa a 1625-06-20 A data é certa
Âmbito e conteúdo
Outros Nomes: Pêro Dinis Pereira

Estatuto Social: Cristão-Velho

Crime/Acusação: Violação do sacramento da ordem

Estatuto Profissional: Clérigo de Ordens de Epístola

Naturalidade: S. Pedro de Atei


Situação Geográfica (Naturalidade): Vila Real - C. do Conde de Cantanhede - Arc. Braga

Morada: S. Pedro de Atei

Situação Geográfica (Morada): Vila Real - C. do Conde de Cantanhede - Arc. Braga

Pai: Pedro Dinis, Lavrador

Mãe: Ana Antunes, Lavradeira

Estado Civil: Solteiro

Data da Apresentação: 19/06/1625

Data da Sentença: 20/06/1625

Outros Dados: M.C., MANCHADO.
Cota actual
Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, proc. 4373
Características físicas e requisitos técnicos
Notas
Este registo foi migrado de uma base de dados Oracle, disponibilizada ao público em Setembro de 1995 no Serviço de referência do IAN/TT. Estão previstas acções de controle de registos duplicados, bem como de adequação das informações constantes em alguns campos às normas e orientações de descrição arquivística.

 

nota: fica este exemplo esperando que, pela investigação, aqui possam ser acrescentados outros.


Visitações Inquisitoriais

 

 

A visitação inquisitorial, estabelecida pela primeira vez de forma sistemática no Regimento do Santo Ofício de 1552, foi de uma extraordinária importância e as implicações a ela inerentes tornaram-se sinais reveladores do poder concentrado nas mãos dos tribunais que, através delas inspeccionavam o estado espiritual / moral da população sob a sua jurisdição com vista a uma correcção dos desvios encontrados isto é a uma reforma a nível temporal e espiritual.

Analisando o Regimento de 1552 do Santo Ofício, logo no seu início, nota-se uma preocupação constante em destacar a figura do inquisidor, pois lhe é atribuído um papel muito importante na visitação. Basta referir que é dos inquisidores que parte a iniciativa da visita. Os inquisidores deviam ser "(...)

letrados, de boa consciência, prudentes, constantes e os mais aptos e idóneos que se poderem haver."

Como estipulado pelo Regimento de 1552 do Santo Ofício "(...)

quando parecer tempo aos inquisidores para visitar a comarca em que residem ou alguns lugares dela, o farão em esta maneira - Há um inquisidor com um notário, um meirinho e solicitador se for necessário e os mais ofícios ficarão com o outro inquisidor. E o inquisidor o fará saber da visita às justiças do tal lugar para que o aposente em parte conveniente e os oficiais junto com ele".

A visita tomava-se importante pelo medo e pela pressão psicológica a ela inerentes, pelas penas impostas e pelo objectivo de terminar com qualquer foco de heresia. O Regimento de 1613 mandado elaborar por D. Pedro de Castilho mostra bem a preocupação que havia com as visitas distritais "(...)

ordenamos que quando parecer tempo conveniente pêra se visitar a comarqua e o districto de cada huma das inquisições, hum dos inquisidores (...) va fazer a visitação, por parte do sancto Officio emcada hum anno podendo ser, correndo as cidades e lugares, os lugares que parecerem necessário pêra bem do Santo Officio da salvaçam das almas (...)".  Estas deviam ser anuais e ordenadas pelo Conselho Geral, mais precisamente, pelo Inquisidor Geral.

in:  MARIA DA CONCEIÇÃO COSTA CARNEIRO (A população Bracarense na Visitação Inquisitorial de 1618)

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Para o estudo das visitas Pastorais é "obrigatório" analisar minuciosamente os dados do Arquivo distrital de Braga, seguindo as indicações abaixo:

 

SUBSUBSÉRIE 01.01.10: Vila Real (1ª, 2ª e 3ª parte)

ÂMBITO E CONTEÚDO:

Fazem parte da 1ª parte de Vila Real cerca de 42 igrejas dos concelhos de Vila Real, Vila Pouca de Aguiar, Alijó, Ribeira de Pena, Mondim de Basto e o Mosteiro de Santa Clara de Vila Real. Da 2ª parte, com cerca de 41 igrejas, fazem parte os concelhos de Sabrosa, Vila Real, Alijó, Mondim de Basto, Murça e Amarante. Da 3ª parte de Vila Real, 41 igrejas dos concelhos de Amarante, Alijó, Vila Real, Peso da Régua e Santa Marta de Penaguião.

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E REQUISITOS TÉCNICOS:

Bom estado de conservação

DIMENSÃO E SUPORTE:

32 livros e documentos; encadernação em papel ou pergaminho.

Para ajudar no "caminho", os códigos de referência, 

para a 1ª parte da visitação são:

PT/ADB/DIO/MITRA/CD/01.01.10/202;

PT/ADB/DIO/MITRA/CD/01.01.10/204;

PT/ADB/DIO/MITRA/CD/01.01.10/205;

PT/ADB/DIO/MITRA/CD/01.01.10/206.

Freguezia de S. Pedro de Atey

Hé vigairaria collada, apresentada pela madre abadessa de Santa Clara de Villa do Conde.

Rende para o paroco, duzentos mil reis.

Os seus fructos andão arrendados pot hum conto oito centos e noventa e cinco mil reis.

dista de Braga oito legoas.

Tem fogos ou vizinhos, trezentos e vinte e quatro-324.

Pessoas de sacramento, novecentas e trinta e oito-938.

Menores-116.

Sacerdótes além do paroco, oito-8.

Destes, são habilitados para ambos, dous.

Para homens, dous.

Simpleçes, quatro.

Ordinandos, dous.

Pertendentes, quatro.

Pessoas culpadas na devassa, 23.

Conferências de Moral, faziam-se.

in: Sousa, Fernando, subsídios para a História Social do Arcebispado de Braga. Braga 1976.

 

 

Para a 2ª parte da visitação:

PT/ADB/DIO/MITRA/CD/01.01.10/213;

PT/ADB/DIO/MITRA/CD/01.01.10/214;

PT/ADB/DIO/MITRA/CD/01.01.10/215.

E para a 3ª parte da visitação:

PT/ADB/DIO/MITRA/CD/01.01.10/216;

PT/ADB/DIO/MITRA/CD/01.01.10/217;

PT/ADB/DIO/MITRA/CD/01.01.10/219.

 

Pode encontrar a referência às cotas, aos títulos e às datas extremas aqui: http://www.adb.uminho.pt/uploads/Invent%C3%A1rio%20das%20Visitas%20e%20Devassas.pdf, a partir da página 22.

  


Inquirições de Gênere

Âmbito e conteúdo

Processos individuais de inquirição aos candidatos, a ingressar no estado clerical, ou a tomar posse de benefícios. Consistiam em autos contendo interrogatórios ao habilitante, e recolha de informações junto de testemunhas e entidades oficiais. Eram averiguados a legitimidade de nascimento e a linhagem, com vista a provar a condição de cristão-velho e a "limpeza de sangue". A inquirição era efectuada por uma comissão designada pelo Cabido, encabeçada por juizes.

 

Seguem-se  3 exemplos:

1) – Antonio Gonçalves Perdigão, Pasta 219, Procº 4654, de 15.6.1721, com certidão de justificação de idade, pelo Padre Dionizio Pereira da Fonseca, dizendo que nasceu em Janeiro de 1697 e foram padrinhos Antonio Jorge e Ana Antunes, carracedo, S. Cristovão, Mondim de Basto. Pede para receber Ordens, pois os pais são velhos e tem muitos irmãos e irmãs de que é amparo
a) Filho de Gonçalo Gonçalves Perdigão e Senhorinha Gaspar, S. Cristovão, Mondim de Basto
b) Neto paterno de Gonçalo Gonçalves Perdigão, natural de Pedravedra e Maria Gaspar, natural Cham, ainda viva
c) Neto materno de Joseph Gonçalves e Maria Francisca, Pedravedra
[Em 25.10.1719, o Padre Serafim Alvares, escrivão da camara eclisiastica, levou 60 reis pelo processo]


2) – Manoel Gonçalves Carvalho, Pasta 714, Procº 16571, de 19.3.1732, nascido em 9 e baptizado em 15.3.1713, Padrinho Padre Antonio de Carvalho e Sebastiana, solteira, filha de Francisco Carvalho, bairro da Praça, Mondim
a) Filho de Mathias Carvalho e Maria Carvalho, moradores praça, junto ao pelourinho, Mondim de Basto
b) Neto paterno de Antonio Gonçalves o caibram, natural de S. Pedro de Britelo e Sabina Francisca, bairro da praça, junto ao pelourinho, Mondim
c) Neto materno de Francisco Carvalho, cortador e depois ferrador, natural de viela, S. Pedro de Atei e Maria João, natural do bairro da praça, Mondim, onde casaram e moradores em carreira, Mondim de Basto
[Francisco Carvalho, tinha um irmão de nome João Carreira, que tinha um filho licenciado, Padre Antonio Carvalho, clerigo de missa]


3) – Francisco Borges de Azevedo, Pasta 1298, Procº 29464, de 1.2.1734, a fls 30 diz ter nascido a 26, baptizado a 30.3.1721, Padrinho licenciado Faustino Borges, filho de Francisco Borges o velho, fonte e Joana, filha de Balthazar Borges, eiro, S. Cristovão, vila de Mondim de Basto, celebrou o licenciado Padre Antonio de Carvalho, Praça, Mondim, de licença do Paroco Domingos Simões. Tinha o irmão Manoel Antonio de Azevedo, como Padre, nascido a 15, b. 21.5.1724, Padrinho Manoel Alvares Neto, rego e Maria, filha de Manoel Borges, eiro, Mondim, celebrou o Paroco Domingos Simões
a) Filho de Francisco Borges de Azevedo, tratante e Veronica Borges da Costa, moradores em Fonte, desta vila de Mondim
b) Neto paterno de Francisco Borges, natural de S. Maria do Canedo e Maria Gaspar, fonte, S. Cristovão de Mondim
c) Neto materno de Balthazar Borges da Costa, cortidor e Maria João, ambos de S. Cristovão de Mondim de Basto.

nota: com estes exemplos esperemos despoletar o "vício da investigação" nos professores e alunos. Podem inserir aqui todos os dados relevantes que encontrarem.
 

 


Extinção do concelho de Mondim de Basto

A supressão do concelho de Mondim de Basto em 25 de junho de 1896


Restauração do Concelho de Mondim

d.G. em 13 de janeiro de 1898

 

 


A Rede Viária

Todos reconhecemos a importância da rede viária como fator impulsionador do desenvolvimento local. O concelho de Mondim, desde o período da romanização, foi sendo dotado de algumas vias e pontes sem as quais estaria irremediavelmente afastado do mundo e do progresso. Nesta página vamos lançar pistas e esperar o contributo de professores e alunos para o aprofundar do tema.

1.Reedificação da Ponte do Tâmega.

 

 

 

 

 Ponte sobre o Tâmega em Mondim de Basto. Foto de Carlos Lima, 2010

 

 

 

 

Ponte romana de Bromela

Classificada como monumento nacional, levanta-nos algumas dúvidas sobre a sua importância.  

   Segundo Siculus Flaccus, cônsul romano, na sua obra «De condicionibus agrorum»:
«As vias não têm um único estatuto. Existem as Viae Publicae; que são construídas com fundos públicos, recebendo o nome do seu promotor. O Curator Viarum era responsável pela supervisão da via cuja construção era adjudicada a empreiteiros. Para a manutenção de algumas delas é fixada uma determinada soma aos proprietários em função da via em causa. Em contrapartida as Viae Vicinales, partindo das Viae Publicae, servem os campos ou ligam a outras Viae Publicae. São construídas noutras modalidades, pelos responsáveis regionais que, em geral, exigem aos proprietários os trabalhos de manutenção.»
Ler online in «De condicionibus agrorum» Cap. XIX.
in: http://viasromanas.planetaclix.pt/vrinfo.html

 

Outras pontes

Ponte romano?-Medieval de Vilar de Viando

Ponte romano?-Medieval de Ermelo

 

O número de pontes ditas «romanas» varia muito em função dos critérios adoptados para a sua classificação e é um assunto muito pouco consensual entre os investigadores. A largura e horizontalidade do tabuleiro, a simetria dos arcos, as pedras almofadadas e as marcas de fórfex são algumas das características apontadas para certificar a sua origem romana, mas é sabido que nem todas as obras romanas seguiam estritamente este padrão pelo que se torna muito difícil atestar da sua cronologia. Assim a classificação das pontes tenta distinguir entre pontes com nítidos indícios romanos, quer pelas técnicas construtivas usadas - designadas por «Pontes Romanas» - quer pela presença de materiais romanos reutilizados nas posteriores reconstruções na Idade Média e mesmo na Idade Moderna - designadas por «Pontes Romano-Medievais» - das restantes pontes antigas que apesar da ausência de vestígios romanos na sua construção, estão no entanto no alinhamento de comprovadas rotas romanas pelo que é possível admitir a existência de uma ponte anterior - designadas por «Pontes Romano?-Medievais.

  • PONTE ROMANA, construção ou reconstrução mantendo o desenho original;
  • PONTE ROMANO-MEDIEVAL, reconstrução medieval sobre fundações romanas;
  • PONTE ROMANO?-MEDIEVAL, ponte medieval, sem vestígios romanos, mas no alinhamento da rota romana.


uma infinidade de outras pontes ditas "romanas" espalhadas por todo o país, por vezes assente numa vaga tradição popular, outras vezes baptizadas por autores mais ou menos imaginativos mas para as quais não há factos a suporta-lo. No geral a designação é adoptada sem critério a toda e qualquer ponte construída em pedra que tenha um ar antigo e algo tosco. Estas supostas "pontes romanas" que aparecem em guias turísticos, em sinalética rodoviária e até mesmo em monografias "oficiais" têm criado uma falsa percepção da engenharia romana. Não que essas pontes não mereçam a devida atenção pois são afinal o reflexo da nova ordem social da Idade Média, mas apenas porque elas desviam atenção das importantes pontes romanas que ainda restam em Portugal.

 Podemos aprofundar o tema aqui: http://viasromanas.planetaclix.pt/vrinfo.html


 

 

A construção da ”Estrada Districtal nº 47

Senhor:

Os súbditos de Vossa Magestade Fidelissíma, nacturaes do districto de Villa Real, da região que compreende Mondim de Basto, Ribeira de Pena e Villa Pouca D`Aguiar, actualmente residentes no Estado de Pernambuco dos Estudos Unidos do Brasil, veem muito respeitosamente pedir a Vossa Magestade para que se digne de ordenar ao seu ilustre Governo a dotação necessária para a conclusão e ligação da estrada districtal nº 47, á qual falta a construção de cerca de 14 Kilómetros entre Cerva e Athey, para ficar concluída…

A estrada por cuja construção e ligação intercedem, foi começada há cerca de 30 annos, tendo já há muito tempo ficado paralysada…

O abandono em que se encontram algumas das freguesias ruraes do nosso districto […] a crise vinícola porque está passando aquella região e outros malles […] impressionou tão desagradavelmente aos peticionários […] que eles, embora longe, se animam a vir implorar ao seu Magnânimo e esperançoso Rei uma pequena parcela do remedio que muito concorrerá para minorar os malles que veem a apontar”

Pernambuco, 26 de abril de 1909.

Nota: segue-se a assinatura dos 120 signatários, à frente de todas a de Alfredo Álvares de Carvalho de Mondim de Basto.

In: “O Progresso de Mondim”, nº125 de 1909


Dos Livros das Mercês.

História:

O Registo das Mercês foi instituído por Alvará de 31 de Dezembro de 1547 para que ficassem assentes em livros todas as "doações de terras, alcaidarias-mores, rendas, jurisdições, cartas e provisões de comendas, capitanias, ofícios e cargos da justiça e da fazenda, tenças, privilégios, licenças para se venderem e trespassarem ofícios e tenças a outras pessoas, filhamentos de filhos, parentes e criados, acrescentamentos de foros e moradias, ajudas de casamento, quitas e mercês de dinheiro". 
 
Dado que sabemos que alguns ilustres mondinenses foram agraciados, vamos tentar descobri-los e seguir o seu percurso de vida.  A vossa contribuição é importante.
 
Nº 1:
 
        
 
nº 2:
 

Genealogia

O que é? 

A Genealogia é o ramo da História que se dedica ao estudo das famílias, à sua origem e evolução, descrevendo as gerações em cadeia (em sentido ascendente ou descendente) e traçando, sempre que possível, as biografias dos seus membros.
Se pretende conhecer as suas raízes familiares e estudar a sua ascendência, tenha em conta as seguintes indicações:

 (in ANTT).

Sabemos que há famílias de Mondim que têm sido estudadas (Magros; Àlvares de Carvalho; Borges de Azevedo, etc...) por grandes entusiastas do tema como os amigos João alarcão, Belmiro de Travassos, António Lages, no Brasil, só para citar estes.  Se algum aluno ou professor do nosso agrupamento de Escolas quiser iniciar-se no tema poderá começar por navegar no Geneall.net e dar-nos conta do desenvolvimento do trabalho.

 

Iniciação à Genealogia
Para construir uma árvore genealógica é necessário apontar em primeiro lugar todos os elementos de que dispõe sobre os nomes, datas e locais de nascimento e baptismo, casamento e morte dos seus ascendentes e dos seus descendentes.

Para a confirmação desses mesmos dados deverá socorrer-se das Conservatórias dos Registos Civis e das Paróquias onde os factos que conhece foram registados. Nesses locais deverá obter certidões dos registos desses eventos.

Nesses registos recolherá nova informação sobre os nomes, locais onde nasceram, foram baptizados ou casaram os ascendentes das pessoas a que os registos se referem. Poderá então dirigir-se a esses locais, quer sejam Conservatórias do Registo Civil, quer Paróquias, para obter os registos desses novos factos. Assim sucessivamente, recuará no tempo, avançando a sua pesquisa, sempre com documentos autênticos que a possam comprovar.

Com mais de cem anos, os factos procurados, em Portugal, devem encontrar-se em livros que transitaram para os Arquivos Distritais correspondentes aos locais respectivos. Nesses Arquivos também se podem obter certidões do resultado da pesquisa. Quer nos Arquivos Distritais, quer na Torre do Tombo (que é, simultâneamente, Arquivo Distrital de Lisboa) existem funcionários que podem orientar a procura de qualquer registo, caso seja necessário.

A sua árvore genealógica começou então a ganhar forma e consistência porque está sustentada em documentos autênticos. Quando recuar mais no tempo verificará que existem outras fontes às quais poderá recorrer para justificar os dados que a compõem. Entre elas, arquivos notariais, testamentos, registos profissionais, publicações de diversa espécie, e um grande número de outras fontes cuja credibilidade permitirá aumentar a sua árvore.

Os trabalhos de outros genealogistas, nomeadamente os que estão reproduzidos no nosso site, servirão eventualmente de auxílio. Mas existem inúmeras obras fidedignas de genealogia que tomamos por sérias, e (ainda) não estão cá reproduzidas.

Contacte-nos também para dúvidas que surjam no desenvolvimento do seu trabalho. Use o nosso Fórum, cujos resultados têm sido surpreendentes para os que nele participam. Conte connosco.

 in: http://www.geneall.net/P/pag.php?id=236


Mondim na 1ª Guerra Mundial

foto de José Martins Machado, de Travassos, Mondim de Basto.

Retirada daqui: http://www.travassos1.blogspot.com, do nosso amigo Miro.