Revolução Russa

18/11/2012 18:36

Introdução

A Rússia entrou no século XX como um dos países mais atrasados do mundo. A economia era baseada na produção rural e 90% da população não sabia ler nem escrever. Como se não bastasse, grande parte da população russa vivia em estado de miséria, se alimentando mal e tendo que trabalhar diversas horas para conseguir pagar os altos impostos que eram usados para sustentar uma minoria de nobres, que viviam luxuosamente nos palácios ao lado do todo poderoso da nação, o czar Nicolau II.

A situação na Rússia foi se tornando cada vez mais insuportável, até que em 1905, no chamado Ensaio Geral, eclodiram diversas revoltas contra o regime czarista.

Mas foi somente em 1917, depois de duas grandes revoluções, que se instaurou no país uma forma de governo diferente de todas aquelas vistas até então. Em novembro daquele ano, com a ajuda de operários e camponeses, Vladimir Lenine, Leon TrótskiJoseph Stáline, junto com outros comunistas notáveis, assumiram a direção do governo Russo e fundaram o primeiro estado socialista da história.

Principais personagens

Nicolau II Romanov (1868-1918)

Último Czar da Rússia, Nicolau II nasceu no Palácio de Catarina, próximo a São Petersburgo. Os ministros do governo russo o consideravam contraditório e mal preparado para o cargo que ocupava. De fato, ao longo de seu governo, Nicolau II tomou diversas decisões que custaram caro à Rússia e a seu povo. Obrigado a renunciar ao cargo em 1917, foi preso e no final do mesmo ano, morto junto de toda sua família.

 

 

Vladimir I. Lenine (1870-1924)

Lênin era filho de professor. Formou-se em direito com as notas mais altas. Contestador, desde jovem Lênin esteve envolvido em atividades de cunho revolucionário. Em 1902 escreveu o livro "Que fazer?", onde afirmava que era necessária a criação de um partido político revolucionário, guiado pelas idéias socialistas de Marx e Engels. Mais tarde, em 1917, Lênin liderou um partido que tinha exatamente essas propostas.

Lênin morreu em 1924, segundo alguns médicos da época, vítima de arteriosclerose. Porém, estudos recentes afirmam que ele teria sido vítima de sífilis. Há também quem afirme que ele teria sido envenenado por seu companheiro de partido Joseph Stálin.

 

 

Alexander Kerenski (1881-1970)

Foi um dos líderes da revolução de fevereiro de 1917. Foi o último ministro do Governo Provisório que se instaurou em seguida, mas não correspondeu aos anseios da população russa. Também não conseguiu evitar a revolução de novembro de 1917 e acabou fugindo para os EUA.

 

Leon Trótski (1879-1940)

Nascido em uma família burguesa, Tróstki era presidente do soviete de Petrogrado na época da revolução de novembro de 1917. Em seguida foi o responsável pela organização do exército vermelho que lutou na guerra civil. Após a morte de Lênin, se envolveu na disputa pelo poder máximo dentro do partido comunista. Trótski defendia  que, para que o socialismo desse certo, era necessário espalhá-lo por todo o continente. Derrotado, foi expulso do país e em 1940, assassinado a mando de Stálin.

 

Joseph Staline (1879-1953)

Stálin era de origem pobre e teve pouca instrução. Não teve tanta participação na revolução de 1917 quanto Lênin ou Trótski, mas foi ganhando espaço dentro do partido comunista até vencer a disputa pelo poder em 1924. Stálin detestava ser contestado e considerava sempre ter razão. Em 1927, se viu a frente da União Soviética. Em seu governo, a indústria teve forte crescimento e a população, diversas melhorias na qualidade de vida. Governou a URSS, sempre de forma autoritária, até o dia de sua morte.

 

 

A Rússia antes da revolução

A Rússia, no final do século XIX e início do século XX, era uma monarquia absolutista comandada pelo czar Nicolau II. O país era um dos mais atrasados do mundo. A maioria das pessoas eram camponeses pobres e analfabetos. Esses camponeses trabalhavam nas terras da nobreza rural. Pagavam altos impostos para manter a base do sistema czarista de Nicolau II e viviam quase sempre esfarrapados e famintos, além de terem que suportar a baixa temperatura da região.

Nas cidades mais populosas, como São Petersburgo e Moscou, já havia um certo desenvolvimento industrial. No entanto, os trabalhadores urbanos viviam sem nenhum amparo da lei, cumprindo jornadas de trabalho que chagavam a 12 horas diárias, sem direito a férias nem aposentadoria. O governo czarista sempre estava do lado da burguesia, reprimindo cruelmente qualquer tipo de greve ou manifestação.

Enquanto a maior parte da população vivia em péssimas condições, os nobres moravam em luxuosos palácios, onde frequentemente aconteciam, junto com membros da burguesia, banquetes famosos pela fartura e pelo desperdício.

Bolcheviques e Mencheviques

Bolcheviques e Mencheviques foram duas divisões do partido social-democrata que surgiram devido às diferenças na maneira como cada uma das partes enxergava a melhor maneira de derrubar o governo czarista e criar um estado socialista no país.

Os Mencheviques consideram que, para fazer as coisas acontecerem, o partido deveria reunir o maior número de participantes possíveis, sendo que nada seria cobrado desses integrantes, a não ser fidelidade aos ideais comunistas.

Para os bolcheviques, no entanto, o partido deveria ser uma unidade restrita e disciplinada, com integrantes que se dedicassem exclusivamente aos ideais da revolução. Deveria haver uma célula central de revolucionários e células menores subordinadas a ela.

O ensaio geral de 1905

Em 1904, a Rússia declarou guerra ao Japão, disputando o controle da Manchúria, uma área banhada pelo oceano pacífico. Desse combate, o Japão saiu como vencedor e a Rússia, em grave crise socioeconômica. Essa crise prejudicou o já miserável povo russo, que mesmo assim acreditava que o czar que os governava era um homem bondoso e justo. Dessa forma, em 1905, milhares de pessoas, lideradas por um padre, realizaram uma pacífica passeata pela cidade, com o objetivo de entregar uma carta ao czar informando sobre as dificuldades enfrentadas pelo povo. Cantando hinos cristãos e desejando saúde ao czar, o destino final da passeata foi o palácio do governo.

Sem nem ao menos querer saber o motivo da passeata, Nicolau II mandou que sua guarda pessoal abrisse fogo sobre a multidão. Mais de mil pessoas foram mortas no dia que ficou sendo conhecido como "Domingo Sangrento". O apelido de Nicolau II passou então de "paizinho" para "o sanguinário".

Depois desse episódio, o regime político de Nicolau II foi ameaçado por inúmeros protestos, revoltas e greves de operários. Até mesmo dentro da marinha ocorreram revoltas, com os comandantes dos navios sendo expulsos pelos marujos. Em várias partes do país as pessoas exigiram direitos democráticos, liberdade para a imprensa e para os partidos políticos e eleições para a Duma, que correspondia ao parlamento Russo.

A partir disso, o czar fez uma série de promessas para acalmar o povo indignado, entre elas a concessão de algumas liberdades para a população e a eleição para a Duma, que teria a missão de elaborar uma constituição democrática para o país. Esta eleição acabou acontecendo, porém os deputados das quatro primeiras Dumas foram pressionados de tal forma que  pouco puderam fazer para mudar alguma coisa. Enquanto isso, Nicolau II preparava o contra-ataque: sabendo que as tropas que  voltavam da guerra do Japão ainda não estavam contaminadas com as idéias de rebeldia, o czar atacou de surpresa os revolucionários, prendendo ou matando a maioria dos Bolcheviques e Mencheviques. Depois, disso, o czar voltou ao seu posto de governante absolutista e a situação ficou aparentemente igual a antes.

Porém, algumas pessoas viram o episódio como sendo o primeiro passo para uma revolução completa na Rússia, pois agora a população havia descoberto quem era o homem que estava no comando do país. Uma dessas pessoas foi Vladimir Ilitch Lenine, que disse que os trabalhadores passaram a perceber quem era o inimigo a ser derrotado, mas que para fazer a coisa certa era preciso treinar. Assim, ele chamou a revolução de 1905 de "O ensaio geral".

A relação entre a 1ª Guerra Mundial e a Revolução Russa

A Rússia entrou na 1ª Guerra Mundial em 1914, contra a Alemanha e a Áustria. Assim como aconteceu na Guerra do Japão em 1905, a situação sócio-econômica da população pobre piorou bastante. Os alimentos, já difíceis de obter, começaram a ficar escassos, porque muitos dos soldados que foram enviados para a guerra eram jovens camponeses que ajudavam nas plantações. A situação no país passou a ficar muito próxima do insuportável.

 

 

O início da Revolução

Três anos mais tarde, em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário Russo), aconteceu em Petrogrado (na época capital do país) uma passeata comemorando o dia internacional da mulher. Aos poucos outras passeatas, com outras reivindicações, foram se juntando ao grupo até chegar ao ponto de haver mais de 1 milhão de pessoas unidas contra o czar e gritando "Paz! Pão! Terra!" nas ruas da capital.

O czar repetiu as ordens do "Domingo Sangrento" e mandou que os manifestantes fossem dissolvidos a tiros de fuzil. Porém, desta vez os soldados, cansados da guerra e "contaminados" pelos ideais revolucionários, recusaram-se a seguir as ordens do czar e ainda por cima passaram a defender abertamente os manifestantes. Daí o clima de revolução tomou conta de Petrogrado. A violência e a confusão tornaram-se incontroláveis. Ao todo, cerca de mil pessoas morreram nos combates que se espalharam pela cidade e mais de seis mil ficaram feridas.

 

 

A revolução burguesa de março de 1917

Os soldados russos, agora do lado do povo, invadiram o palácio onde a Duma se reunia. Posteriormente, formaram dois comitês provisórios, um era o Soviete de Petrogrado, formado por trabalhadores e soldados. O outro era o governo provisório, formado pelos deputados moderados da Duma. Temendo por uma revolta ainda maior, o governo czarista ordenou que os soldados que ainda lhes eram leais abandonassem o palácio e não se impusessem à insurreição. No dia 2 de março, Nicolau II assinou sua abdicação e deixou de vez a frente do governo russo.

A Rússia passou então a ser comandada pelo Governo Provisório, composto pela união de vários partidos políticos, a maioria deles burgueses, ou seja, até então a Rússia continuou capitalista, porém agora com ampla liberdade para a imprensa e para os partidos políticos. Esse governo provisório contava ainda com o apoio dos Mencheviques, que acreditavam que a Rússia ainda precisava de diversos anos de capitalismo até que houvesse condições favoráveis para a implantação de um regime socialista no país.

No entanto, o governo provisório não atendeu aos principais anseios da população: o racionamento de comida continuou, a nobreza rural continuou com suas terras e o país não saiu da guerra. Com isso, Kerenski, o líder do governo provisório foi perdendo rapidamente o respeito do povo russo.

 

 

A revolução socialista de novembro de 1917

No dia 7 de outubro, Lênin, que estava então na Finlândia, retornou clandestinamente ao país. Foi dada a ele uma ordem de prisão que nenhum soldado quis cumprir. Assim, de forma relativamente organizada, os bolcheviques tomaram toda a cidade (Petrogrado) em menos de 24 horas e tomaram o palácio sede do governo provisório e Kerenski, disfarçado de mulher, fugiu para os EUA.

Nesse momento acontecia em toda Rússia diversas reuniões dos sovietes, sabendo que agora eram eles quem estavam a frente do governo. Em seguida formou-se o primeiro governo socialista da história, com Lênin a frente dele.

 

 

 

A relação entre a 1ª Guerra Mundial e a Revolução Russa

A Rússia entrou na 1ª Guerra Mundial em 1914, contra a Alemanha e a Áustria. Assim como aconteceu na Guerra do Japão em 1905, a situação sócio-econômica da população pobre piorou bastante. Os alimentos, já difíceis de obter, começaram a ficar escassos, porque muitos dos soldados que foram enviados para a guerra eram jovens camponeses que ajudavam nas plantações. A situação no país passou a ficar muito próxima do insuportável.

 

 

O início da Revolução

Três anos mais tarde, em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário Russo), aconteceu em Petrogrado (na época capital do país) uma passeata comemorando o dia internacional da mulher. Aos poucos outras passeatas, com outras reivindicações, foram se juntando ao grupo até chegar ao ponto de haver mais de 1 milhão de pessoas unidas contra o czar e gritando "Paz! Pão! Terra!" nas ruas da capital.

O czar repetiu as ordens do "Domingo Sangrento" e mandou que os manifestantes fossem dissolvidos a tiros de fuzil. Porém, desta vez os soldados, cansados da guerra e "contaminados" pelos ideais revolucionários, recusaram-se a seguir as ordens do czar e ainda por cima passaram a defender abertamente os manifestantes. Daí o clima de revolução tomou conta de Petrogrado. A violência e a confusão tornaram-se incontroláveis. Ao todo, cerca de mil pessoas morreram nos combates que se espalharam pela cidade e mais de seis mil ficaram feridas.

 

 

A revolução burguesa de março de 1917

Os soldados russos, agora do lado do povo, invadiram o palácio onde a Duma se reunia. Posteriormente, formaram dois comitês provisórios, um era o Soviete de Petrogrado, formado por trabalhadores e soldados. O outro era o governo provisório, formado pelos deputados moderados da Duma. Temendo por uma revolta ainda maior, o governo czarista ordenou que os soldados que ainda lhes eram leais abandonassem o palácio e não se impusessem à insurreição. No dia 2 de março, Nicolau II assinou sua abdicação e deixou de vez a frente do governo russo.

A Rússia passou então a ser comandada pelo Governo Provisório, composto pela união de vários partidos políticos, a maioria deles burgueses, ou seja, até então a Rússia continuou capitalista, porém agora com ampla liberdade para a imprensa e para os partidos políticos. Esse governo provisório contava ainda com o apoio dos Mencheviques, que acreditavam que a Rússia ainda precisava de diversos anos de capitalismo até que houvesse condições favoráveis para a implantação de um regime socialista no país.

No entanto, o governo provisório não atendeu aos principais anseios da população: o racionamento de comida continuou, a nobreza rural continuou com suas terras e o país não saiu da guerra. Com isso, Kerenski, o líder do governo provisório foi perdendo rapidamente o respeito do povo russo.

 

 

A revolução socialista de novembro de 1917

No dia 7 de outubro, Lênin, que estava então na Finlândia, retornou clandestinamente ao país. Foi dada a ele uma ordem de prisão que nenhum soldado quis cumprir. Assim, de forma relativamente organizada, os bolcheviques tomaram toda a cidade (Petrogrado) em menos de 24 horas e tomaram o palácio sede do governo provisório e Kerenski, disfarçado de mulher, fugiu para os EUA.

Nesse momento acontecia em toda Rússia diversas reuniões dos sovietes, sabendo que agora eram eles quem estavam a frente do governo. Em seguida formou-se o primeiro governo socialista da história, com Lênin a frente dele.

 

 

O governo após a revolução

Após a revolução, a burguesia estava fora do poder e os bolcheviques estavam livres para instalar o tão sonhado estado socialista. Isso foi feito rapidamente, sendo que Lênin estava a frente de tudo. Agora cabia aos socialistas cumprirem as exigências que a tanto tempo o povo fazia: "pão, terra e paz".

Em relação à comida, o governo criou vários comitês operários para normalizar o abastecimento nas grandes cidades. Agora nenhum comerciante podia fazer especulações com seu estoque. Além disso, diversos depósitos foram saqueados pelos bolcheviques e os alimentos foram distribuídos entre a população carente.

O governo também decretou a extinção completa dos latifúndios. Os nobres, sem poderem fazer nada, assistiram todas as suas terras serem distribuídas às famílias de camponeses. Muitos deles pegaram o que podiam de dinheiro e fugiram para outros países.

No que diz respeito a paz, o governo socialista enviou delegados para realizar negociações com a Alemanha e assim foi assinado um tratado em que se estabelecia que a Rússia se retiraria da 1ª Guerra Mundial.

Outras medidas importantes foram tomadas. Foi determinada a autodeterminação das nacionalidades, ou seja, Finlândia, Ucrânia, Geórgia, entre outros, seriam respeitadas como nações, embora ainda fizessem parte da Federação Russa e em julho de 1918, foi estabelecida a nova constituição, que estabelecia a ditadura do proletariado, seguindo principalmente as idéias Marxistas.

 

 

A guerra civil

Passada a revolução, o governo socialista tinha ainda um grande desafio a ser enfrentado: defender o recém criado estado socialista dos inúmeros contra-revolucionários. Além disso, os países capitalistas não viam com bons olhos o novo tipo de governo e não pouparam esforços para destruí-lo. Ao todo, quatorze países atacaram a Rússia, incluindo o Japão, a Inglaterra e os EUA.

Aos poucos, cada lado foi formando seu exército e nos anos que se seguiram a Rússia foi palco de uma violenta guerra civil entre o Exército Branco (contra-revolucionários) e o Exército Vermelho (Bolcheviques). A guerra civil durou três anos, terminando em 1921, em um período que ficou conhecido como comunismo de guerra.

Os Bolcheviques do Exército Vermelho foram os vencedores da guerra civil, sendo que um dos principais motivos para essa vitória foi o fato de que os soldados do Exército Branco tinham acabado de sair de uma guerra e por isso, se encontravam exaustos. Além disso, muitos camponeses lutaram até a morte para defender os seus recém conquistados pedaços de terra.

Os países capitalistas mudaram então de estratégia, em vez de atacar a Rússia, passaram a isolá-la do resto do mundo, não importando nem exportando nada dela. O resultado foi que a Rússia viveu uma das mais terríveis epidemias de fome do século XX. Com as plantações arrasadas, milhões de pessoas morreram de fome. A economia se encontrada praticamente paralisada. A Rússia se encontrava então em paz, mas precisava urgentemente recuperar sua economia.

 

 

A organização económica

Dentro do comunismo de guerra, o governo havia confiscado toda a produção industrial e de cereais. Essa política econômica foi abandonada para dar lugar a NEP (Nova Política Económica). A NEP foi considerada por muitos uma pitada de capitalismo no sistema econômico da Rússia, que então já se chamava União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Medidas drásticas foram tomadas: agora havia permissão para o funcionamento de pequenas empresas privadas, porém as grandes empresas ainda seriam controladas pelo estado. Os camponeses podiam vender livremente seus produtos nas cidades. O artesanato foi incentivado e ainda foram assinados diversos acordos com empresas estrangeiras que passaram a fornecer capital e tecnologia ao país, tudo porém sobre rigorosa vigilância do estado socialista.

Os resultados positivos da NEP foram aos poucos aparecendo. A produção agrícola foi restabelecida no interior do país e agora contando com um sistema viário mais eficiente. As pequenas indústrias conseguiram se organizar e rapidamente lançaram alguns novos produtos no mercado. Tudo caminhava razoavelmente bem no estado socialista

A ascensão de Stálin

A morte de Lênin, em 1924, deu início a uma forte disputa interna no partido comunista para decidir quem seria o sucessor do líder bolchevique. Em jogo, estava o cargo máximo. Stálin venceu a disputa e deu início a uma nova era na URSS. Exercendo o poder de forma ditatorial e expulsando vários de seus inimigos políticos do país (inclusive Trótski), Stálin permaneceu a frente do governo até o dia de sua morte, e durante esse período, o país mudou quase que completamente.

 

 

A nova economia

Stálin acabou com a NEP, em seu governo, foram propostos planos quinquenais para o desenvolvimento da economia. A economia passou a se desenvolver de forma acelerada, tanto que quando ocorreu a 2ª Guerra Mundial, a URSS já era considerada uma potência mundial. A produção era voltada principalmente para a indústria de base e setores de infra-estrutura, ficando em segundo plano a indústria dos bens de consumo. Aos poucos a agricultura também foi se modernizando. No socialismo soviético, as vitrines das lojas eram pobres, porém as calçadas não abrigavam miseráveis.

 

 

A ditadura Estalinista

Stálin, durante o tempo que esteve a frente da URSS, perseguiu, torturou e matou diversos de seus inimigos políticos, inclusive inúmeros comunistas (um deles foi Trótski). Qualquer pessoa que se opusesse ao governo estalinista, comunista ou não, poderia ser fuzilado sem justa causa.

No entanto, apesar disso tudo, Stálin parecia preocupado com o bem estar da população. O que acontecia é que Stálin nunca gostou de ser contrariado, levando seus planos de construir uma sociedade socialista até as últimas consequências.

A maior parte do povo Russo aprovava o governo de Stálin, até mesmo porque grande parte do lado ditatorial de Stálin era escondido da população. Havia ainda uma forte máquina de governo cuidando do endeusamento de Stálin, ou seja, o tempo todo surgiam cartazes, pinturas, filmes e propagandas mostrando como Stálin se preocupava com a felicidade e o bem-estar da população Russa.

Porém, a principal razão pela aprovação do governo de Stálin foi que a vida do povo na URSS realmente melhorou. O governo investiu pesado para a melhoria da qualidade de vida da população. Dentre essas melhorias, podemos citar:

=> Construção de casas e apartamentos para a população, acabando assim com as favelas;

=> Escola gratuita para todas as crianças;

=> Criação de um sistema de saúde eficiente e gratuito;

=> Igualdade entre homens e mulheres;

=> Desemprego e a inflação praticamente eliminados.

Dessa forma, o governo Estalinista seguiu sem grandes ameaças até o dia de sua morte.

 

A URSS depois de Stálin

Com a morte de Stálin, Kruschev subiu ao cargo máximo da União Soviética e ali permaneceu durante oito anos. Em seu mandato, revelou ao povo russo o lado ditador de Stálin e mandou soltar diversas pessoas que haviam sido presas pelo ex-governante. A repressão aos inimigos do governo e a censura à imprensa continuaram, mas agora de forma mais branda.

A União Soviética atingiu seu auge de desenvolvimento no final da década de 60, fazendo frente inclusive aos EUA. Porém, nos anos que se seguiram, ficaram claras as limitações da economia planificada do país, que não conseguia acompanhar o dinamismo ocidental. Aos poucos, as taxas de crescimento foram diminuindo e os gastos militares começaram a comprometer o bem-estar social.

Na década de 80 os problemas da URSS só se agravaram. As coisas não iam bem nem na cidade nem no campo. Chega ao poder então Mikhail Gorbatchev, em um momento que parte da população russa já começava a ansiar por um padrão de vida igual aos dos EUA. Jovem e cheio de idéias radicais, Gorbatchev acabou com a censura e a repressão política e deu mais autonomia para a economia do país. Novamente, foi permitida a criação de pequenas empresas privadas, com o objetivo de melhorar a indústria de bens de consumo. No plano internacional, se abriu ao diálogo com o mundo ocidental, retirou tropas de outros países e não impediu que algumas repúblicas da URSS se tornassem capitalistas.

 

 

O fim da URSS

As medidas de Gorbatchev tiveram efeito oposto ao que era esperado. Acusado de ser fraco pelos opositores, foi aos poucos perdendo completamente o controle da situação. Ao mesmo tempo, Boris Yeltsin, outro membro do partido comunista, ia aos poucos ganhando fama, até ser eleito presidente da Rússia nas inéditas eleições democráticas de 1990. Ou, seja, por algum tempo, Gorbatchev comandou a União Soviética e Yeltsin ficou à frente da Rússia. 

Em agosto de 1991, integrantes considerados de "linha dura" do partido comunista tentaram destituir Gorbatchev do poder através de um golpe de estado e assim restaurar a forma de governo que existia antes de sua ascensão ao poder. A multidão então foi as ruas, liderada por Yeltsin, pedindo que a "ordem e a democracia fossem respeitadas". O golpe fracassou e como consequência, Gorbatchev e o partido comunista perderam todo o poder que ainda lhes restavam e Yeltsin foi aclamado novo herói da democracia russa. Não demorou muito até que o império soviético começasse a desmoronar.

Primeiramente, algumas repúblicas bálticas e a Ucrânia se tornaram independentes da URSS. Por fim, na noite de natal do mesmo ano, Gorbatchev renunciou ao seu cargo e anunciou o fim da União Soviética. Os estragos provocados pelo seu mandato foram grandes demais para serem contornados.

Até hoje se discute quais foram os motivos que levaram o grande império soviético a se arruinar em pouco mais de duas décadas.

 

 

A Rússia capitalista

Depois de reverter a revolução bolchevique de 1917, cabia agora a Yeltsin tentar recolocar a Rússia novamente nos trilhos. Em seu governo, inúmeras empresas foram privatizadas e a economia foi aos poucos voltando a crescer. A capital Moscou ficou rapidamente parecida com as grandes metrópoles capitalistas, o que inclui mendigos habitando as calçadas.

Em 1999, Vladimir Putin (foto) assumiu a presidência do país e o recolocou em rota de crescimento. Em seus anos de mandato, diversos jornalistas que ousaram o criticar foram mortos, o que lhe rendeu o apelido de "Ivan, o terrível", que foi o primeiro czar da Rússia. No ano passado, Putin ajudou a eleger com facilidade seu sucessor, Dimitri Medvedev, já disse que pretende fazer de seu governo uma continuação direto do mandato de Putin.

Cronologia

=>1905 - A Rússia declara guerra contra o Japão. O czar Nicolau II ordena que sua guarda pessoal dispare contra manifestantes em frente ao seu palácio de inverno. Mais de mil pessoas foram mortas.

=>1914 - A Rússia entra na 1ª Guerra Mundial contra a Alemanha e a Áustria.

=>1916 - Um milhão de soldados russos morrem após a 1ª ofensiva alemã.

=>1917 - Março - A marcha do dia internacional da mulher acaba em conflito. Os Mencheviques estabelecem o governo provisório. Os Bolcheviques estabelecem outro governo, composto de comitês chamados Sovietes.

                 Julho - Lênin foge da Rússia.

                 Outubro - Lênin retorna a Petrogrado.

                 Novembro, 7 - Trabalhadores tomam edifícios em Petrogrado.

                 Novembro, 15 - Os Bolcheviques tomam Petrogrado.

=>1921 - O governo institui a NEP (Nova Política Econômica), que permitia o funcionamento de pequenas empresas privadas.

=>1924 - Morre Lênin, líder dos Bolcheviques.

=>1927 - Estálin assume a frente da URSS.

=>1953 - Estálin morre ainda no poder.

=>1989 - Queda do muro de Berlim.

=>1991 - Fim do comunismo.

 

Links

 
 
 
 
 

 

Veja também:

Lenine

Bolcheviques

Staline

Czar Nicolau II

Livros sobre a Revolução Russa

Questões sobre a Revolução Russa

Filmes sobre a Revolução Russa

 

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